BCE mantém indecisão entre subir juros ou fazer uma pausa nas próximas reuniões
Inflação ainda elevada e salários em alta mantêm o Banco Central Europeu sem resposta definitiva sobre as taxas de juro, segundo os governadores dos bancos centrais da Alemanha, Áustria e Bélgica.
- A decisão sobre as taxas de juro da Zona Euro permanece indefinida, com membros do BCE a debaterem entre uma subida e uma pausa nas próximas reuniões.
- A inflação na Zona Euro registou uma taxa de 2,8% em junho, abaixo das expectativas, mas ainda considerada elevada pelos responsáveis do BCE.
- Os governadores do BCE reconhecem a moderação do risco inflacionista, mas alertam que acordos salariais podem manter a pressão sobre os preços.
À margem do Fórum anual do Banco Central Europeu (BCE), que decorre em Sintra, vários membros do conselho de governadores do BCE revelaram que a decisão sobre as taxas de juro da moeda única continua indefinida entre uma subida e uma pausa.
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Joachim Nagel, presidente do alemão Bundesbank, foi o mais direto ao afastar a interpretação de que a subida de junho tivesse sido uma medida de precaução, sublinhando em entrevista à CNBC que “a subida de junho nunca foi uma subida de seguro”.
O responsável alemão insistiu que “a inflação vai manter-se num nível elevado este ano” e que “os preços vão continuar acima do objetivo em 2027”, recusando qualquer sinal de que a normalização esteja próxima.
Este enquadramento surge depois de a estimativa rápida do Eurostat apontar esta quarta-feira para uma taxa de inflação de 2,8% em junho na Zona Euro. Apesar de ser ficar abaixo dos 3% antecipados pelos analistas e dos 3,2% do mês anterior, Joachim Nagel não altera a leitura de fundo, notando que “a inflação continua demasiado elevada”.

Sobre o calendário das próximas reuniões, o líder do Bundesbank optou por não antecipar qualquer decisão, reservando a resposta às reuniões de julho e setembro, salientando que irá “manter todas as opções em aberto para as decisões de julho e setembro”.
Pierre Wunsch, governador do Banco Nacional da Bélgica, apresentou uma leitura mais contida sobre a necessidade de novos movimentos, defendendo que “uma subida poderá ser suficiente, sem efeitos de segunda ordem significativos”, o que sugere que o ciclo de aperto pode aproximar-se do limite sem necessidade de um caminho mais longo de subidas sucessivas.
Se as leituras de Joachim Nagel e Pierre Wunsch foram mais moderadas, Martin Kocher, governador do banco central da Áustria, preferiu colocar o dedo na questão que mais divide o BCE nas próximas reuniões, notando que “as próximas decisões serão entre subir ou manter as taxas”.
Martin Kocher reconheceu uma moderação do risco inflacionista, mas sem o dar como resolvido, afirmando que “a ameaça da inflação é menor, mas não está completamente contida”.
O governador austríaco associou este risco residual à evolução salarial, alertando que “os acordos salariais podem manter a inflação elevada”, um fator que os responsáveis do BCE continuam a vigiar de perto independentemente da travagem registada nos dados de junho.
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