PSD acusa Chega de exigir à “25.ª hora” a descida da idade da reforma: “Não se brinca com as pensões”

Para o PSD, o Chega decidiu introduzir alterações na idade da reforma que colocariam em causa a sustentabilidade da Segurança Social.

O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, acusou esta sexta-feira o Chega de ter provocado o chumbo da reforma laboral por ter tentado, “à 25.ª hora”, introduzir alterações que colocariam em causa a sustentabilidade da Segurança Social, insistindo que o partido de Luís Montenegro não aceita “brincar com as pensões dos portugueses”. Soares referia-se à descida da idade da reforma para os 65 anos ou 40 anos de descontos, exigida pelo partido de Ventura como condição para viabilizar o diploma.

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Na declaração de voto, no plenário da Assembleia da República, após a rejeição da proposta de lei do Governo, Hugo Soares dirigiu duras críticas a André Ventura, considerando que a imagem que ficará desta votação é “o gesto do deputado André Ventura, de braço no ar e pulso fechado, virado para a CGTP”. “Esse é que ninguém mais esquece”, afirmou.

O presidente da bancada social-democrata defendeu que o PSD conduziu o processo de revisão da legislação laboral “a sério”, quer na concertação social, quer no diálogo parlamentar, questionando o que mudou entre a votação da véspera e a decisão final do Chega. “O que aconteceu é muito simples. À 25.ª hora, o deputado André Ventura quis pôr em causa a sustentabilidade da Segurança Social. E, como PSD, ninguém brinca com as pensões dos portugueses”, declarou. “Para nós, as pensões dos portugueses não são motivo de brincadeira nem de precipitações de última hora”, acrescentou.

Hugo Soares acusou ainda o Chega de ter cedido à pressão das redes sociais, sustentando que o partido alterou a sua posição devido ao “ruído” gerado nas últimas horas. “O que aconteceu de ontem para hoje foi que eles cederam ao ruído e às pressões nas redes sociais. Aqui não se governa nem se legisla pela pressão das redes sociais”, afirmou.

A proposta de reforma laboral apresentada pelo Governo acabou rejeitada no Parlamento, com os votos contra de Chega, PS, Livre, PCP, Bloco de Esquerda, PAN e JPP, enquanto PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal votaram favoravelmente. Para Hugo Soares, a derrota da iniciativa representa uma perda para o país. “Hoje quem perdeu foi a competitividade da economia portuguesa. Hoje quem perderam foram os salários das portuguesas e dos portugueses. Hoje quem perdeu foram os jovens portugueses”, declarou, acusando ainda a esquerda e o Chega de se terem unido para “deixar tudo na mesma”. Apesar do desfecho da votação, garantiu que o PSD continuará a prosseguir o seu caminho reformista “pelos portugueses”.

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