Ventura justifica voto contra do Chega à reforma laboral com “erros” da proposta para quem trabalha

"A nossa coligação não é com o PSD nem com os sindicatos. A nossa única coligação é com os portugueses", sublinha André Ventura, no final do debate que determinou o chumbo da reforma laboral.

André Ventura justificou esta sexta-feira o voto desfavorável do Chega à proposta de lei do Governo para reformar a lei do trabalho com os “vários erros para quem trabalha” que estavam previstos nesse diploma, da amamentação ao outsourcing, passando pelos despedimentos.

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“A legislação laboral apresentada continha vários erros para quem trabalha, para quem investe e, sobretudo, para as famílias portuguesas. Foi o caso da pressão sobre a amamentação, do regime em outsourcing e da possibilidade de despedir em bar aberto as pessoas em Portugal, e das licenças parentais“, enumerou o presidente do Chega, numa declaração de voto no final do debate.

É errado passar a mensagem ao país de que se pode desprezar, despedir e espezinhar quem trabalha neste país sem ter direitos e dignidade“, defendeu ainda André Ventura.

Numa intervenção de cerca de dois minutos, o deputado voltou também a defender a descida da idade da reforma. “Quando dissemos que não podíamos ter um país a trabalhar até morrer, enquanto outros fazem o contrário, a diferença é esta: enquanto o PS e a extrema-esquerda estão habituados a vender-se, nós não nos vendemos“, exclamou o líder do Chega, que rematou dizendo que a única coligação deste partido não é com o PSD, nem com os sindicatos, mas com os portugueses.

CDS-PP acusa Chega de ter optado pelo imobilismo

Minutos antes no hemiciclo, Paulo Núncio, do CDS-PP, também numa declaração de voto, atirou que o Chega, ao votar contra a reforma laboral, decidiu estar ao lado do PCP, da CGTP e do imobilismo.

“Há partidos que acham que o país avança quando para. Na AD, sabemos que só o faz quando se reforma. Esta era uma reforma fundamental para os jovens e para o futuro do país. Não basta dizer-se de direita e depois ser marxista na economia”, salientou o deputado do CDS-PP.

“Hoje definitivamente o Chega escolheu o imobilismo e a falta de coragem. Esta votação demonstra que só com a AD há reformas”, frisou ainda Paulo Núncio, que realçou que, a partir desta votação, o Chega está “do lado dos comunistas, dos bloquistas e dos socialistas”. “Da direita é que não está”, declarou, vincando que “hoje não é um bom dia para o país“.

Hoje definitivamente o Chega escolheu o imobilismo e a falta de coragem. Esta votação demonstra que só com a AD há reformas.

Paulo Núncio

Deputado do CDS-PP

Já Marina Leitão, da Iniciativa Liberal, argumentou que ficou esta sexta-feira provado que “o Chega é uma força de bloqueio no país e não tem interesse em mudar absolutamente nada“.

“Nos momentos reformistas, põe-se ao lado da esquerda para garantir que fica tudo na mesma. Chega, esquerda e o PS são uma montanha de imobilismo e estagnação“, disse a deputada. “Os senhores não levam o país a sério. Eu levo e vou continuar a lutar“, garantiu ainda.

A proposta de lei do Governo que alterava o Código do Trabalho foi chumbada esta sexta-feira com os votos desfavoráveis do PS, Chega, Bloco de Esquerda, PCP, Livre, PAN e JPP.

No debate desta quinta-feira, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, tinha dado por garantida a aprovação da proposta de lei do Governo e o Chega, mesmo não revelando o seu sentido de voto, já clamava várias vitórias neste âmbito, das férias à amamentação, passando pelos despedimentos.

Esta sexta-feira, quando o Parlamento se preparava para iniciar as votações, o Chega pediu a suspensão dos trabalhos por 30 minutos e, no regresso, acabou por votar contra o pacote laboral do Executivo de Luís Montenegro.

(Notícia atualizada às 14h41)

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