UE e México querem abrir “nova era” nas relações com assinatura de acordo político e comercial
A União Europeia e o México voltam a reunir-se no dia 22 de maio na capital mexicana para assinar um vasto acordo político e comercial, que atualiza a última parceria entre os dois blocos, de 1997.
A União Europeia e o México vão assinar na próxima semana um vasto acordo político e comercial que elimina praticamente todas as tarifas entre os dois blocos, numa cimeira que tenciona abrir uma “nova era” nas relações bilaterais.
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Onze anos depois da última cimeira de alto nível entre as duas partes, em junho de 2015 em Bruxelas, a União Europeia (UE) e o México voltam a reunir-se no dia 22 de maio na Cidade do México, com o objetivo assumido de mostrar o seu compromisso com o comércio livre e o multilateralismo num contexto de crescentes tensões geopolíticas.
Em cima da mesa vai estar a assinatura de um vasto acordo político e comercial, intitulado Acordo Global Modernizado, que atualiza a última parceria entre os dois blocos, de 1997, e cobre um amplo leque de setores, que vão do comércio à segurança, passando pela imigração, ambiente, transição digital ou direitos humanos.
“Temos de ver este acordo como passar de um carro antigo e pequeno – o acordo global tinha sido acordado em 1997 – a um carro maior e mais moderno, que nos dá mais capacidades e melhores ferramentas para levarmos esta relação ainda mais longe”, resumiu um responsável europeu.
Na terça-feira, a Presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que o país centro-americano vai abrir “novos horizontes” comerciais com o novo acordo com a UE. Este acordo irá incluir, na vertente comercial, a eliminação de praticamente todas as tarifas entre as duas partes, incluindo em setores como a agricultura ou as chamadas matérias-primas críticas, essenciais para a transição energética e digital.
Fontes europeias destacam a importância desse acordo para a UE que, numa altura em que vê os Estados Unidos a imporem-lhe tarifas, consegue ter maior acesso à 12.ª maior economia do mundo, com “reservas significativas de matérias-primas críticas, um forte potencial em termos de energias renováveis e um setor digital dinâmico”.
Reduzir as dependências tanto dos Estados Unidos como da China é também um objetivo assumido pelas duas partes para assinarem este acordo, que, assumem, passou de “uma possibilidade a uma necessidade”.
“O México quer reduzir a sua dependência do seu vizinho do norte, mas também das cadeias de abastecimento asiáticas e nomeadamente chinesas. Temos os mesmos objetivos na Europa e, por isso, temos ambos um forte interesse mútuo em reforçar a nossa autonomia estratégica através de uma cooperação reforçada”, indicou um responsável europeu.
As disposições comerciais desta parceria serão assinadas à parte, no âmbito de um acordo comercial interino, para garantir que entra em vigor mais rapidamente: enquanto o Acordo Global Modernizado precisa de passar pelo processo de ratificação nacional em cada Estado-membro, o acordo comercial interino só carece da aprovação do Parlamento Europeu.
Além desta vertente comercial, o Acordo Global Modernizado inclui também um reforço das parcerias em áreas como o ambiente, justiça, indústria, direitos humanos, imigração ou segurança, que incluirá uma maior cooperação entre a Europol (Agência da UE para a Cooperação Policial) e as autoridades mexicanas.
Espera-se, por exemplo, que sejam anunciados vários investimentos de companhias europeias em setores estratégicos da economia mexicana, identificados pela Presidente do país, Claudia Sheinbaum, no seu “Plano México”, que visa modernizar a economia nacional e torná-la numa das maiores do mundo.
“Estamos a falar de projetos em setores como as energias renováveis, o transporte, a saúde, a economia circular ou as finanças sustentáveis. Por exemplo, investimentos europeus em novas capacidades de energia solar e eólica no México, na produção farmacêutica local ou para reforçar a capacidade da autoridade reguladora do México para medicamentos”, referiu um responsável europeu.
A cimeira irá começar no dia 22 de maio às 10:30 locais (17:30 de Lisboa), com uma receção de Claudia Sheinbaum aos presidentes do Conselho Europeu, António Costa, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prevendo-se depois uma reunião, antes da conferência de imprensa final.
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