Bruxelas conclui que Temu permite venda de produtos ilegais

A Comissão Europeia fez compras mistério na aplicação chinesa e concluiu, em versão preliminar, que "existe um elevado risco de os consumidores da União Europeia se depararem com produtos ilegais".

Bruxelas aperta cada vez mais o cerco à Temu. A Comissão Europeia concluiu esta segunda-feira, de forma preliminar, que a plataforma chinesa de comércio eletrónico violou o Regulamento dos Serviços Digitais (DSA – Digital Services Act) ao falhar na avaliação dos riscos de divulgação de produtos ilegais.

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“Existe um elevado risco de os consumidores da União Europeia se depararem com produtos ilegais na plataforma. Concretamente, a análise através de um exercício de compras mistério, realizado pela Comissão, concluiu que é muito provável que os consumidores que fazem compras na Temu encontrem produtos que não estão em conformidade com a oferta, como brinquedos para bebés e pequenos produtos eletrónicos”, esclarece a instituição liderada por Ursula von der Leyen.

A avaliação de risco da Temu é imprecisa e baseia-se em informações gerais da indústria, descartando pormenores específicos sobre da sua própria loja online, segundo Bruxelas. “Por conseguinte, tal pode ter conduzido a medidas de atenuação inadequadas contra a difusão de produtos ilegais”, explica o executivo comunitário.

Apesar desta conclusão preliminar, o resultado final da investigação ainda pode ser outro, dado que a Temu – considerada uma plataforma online muito grande (VLOP – Very Large Online Platform) ao abrigo da lei europeia – tem, a partir de agora, a hipótese de exercer o seu direito de defesa e responder à análise da Comissão Europeia. A próxima etapa é consultar o Comité Europeu dos Serviços Digitais.

O caso remonta a outubro do ano passado, quando a Comissão Europeia teve dúvidas sobre as medidas que a empresa chinesa estava a tomar contra a presença de comerciantes que vendem produtos ilegais na loja online da marca e o funcionamento dos seus algoritmos, nomeadamente o quão viciante tornam a plataforma. O marketplace teve oportunidade de responder a Bruxelas, mas os esclarecimentos não foram suficientes para evitar a abertura de um processo.

Por enquanto, esta observação diz respeito exclusivamente à ilegalidade dos produtos. Quanto às outras suspeitas de Bruxelas relacionadas com as características da app que, alegadamente, criam dependência e a escassez de transparência dos sistemas de recomendação e acesso a dados (para alimentar os algoritmos e personalizar a experiência de compra), a investigação prossegue.

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