Geórgia segue caminho desalinhado com adesão à UE, aponta Bruxelas
“As autoridades da Geórgia devem clarificar as suas intenções revertendo o caminho que estão a seguir”, alerta a Comissão Europeia, no relatório sobre o processo de alargamento da UE.
A Comissão Europeia considerou que o parlamento da Geórgia exerceu os seus poderes de uma “maneira insatisfatória” e reconheceu desenvolvimentos no último ano desalinhados com o objetivo de integração na União Europeia (UE). Num relatório sobre o processo de alargamento do bloco comunitário, divulgado e apresentado esta quarta-feira, a Comissão Europeia considerou que “o parlamento exerceu os seus poderes de uma maneira insatisfatória”.
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“A qualidade do processo legislativo foi adversamente afetada pela profunda polarização política, que limitou até que ponto a oposição foi incluída nas reformas feitas. O nível de cooperação entre partidos nas questões relacionadas com a UE foi muito limitado”, sustentou Bruxelas.
O diálogo político também se “reduziu significativamente, particularmente na reintrodução de uma lei sobre a transparência da influência estrangeira” e à sociedade civil “não foram dadas oportunidades suficientes para participar de uma forma construtiva e significativa”.
Apesar de as instituições responsáveis pela integração na UE estarem “maioritariamente a funcionar”, houve “desenvolvimentos no último ano que não estavam alinhados com esse objetivo e o Governo mobilizou pouca atenção política para progredir na agenda europeia”.
“As autoridades da Geórgia devem clarificar as suas intenções revertendo o caminho que estão a seguir”, alertou Bruxelas, pedindo mais cooperação interpartidária e participação da sociedade civil. Tiblissi tem de “substituir as narrativas antieuropeias com uma comunicação proativa e objetiva sobre a UE”. As organizações da sociedade civil também estão com a sua capacidade de intervenção “cada vez mais dificultada”, na sequência de uma “retórica persistentemente negativa, atos de intimidação que têm aumentado, ameaças e abusos físicos”.
Em conferência de imprensa, em Bruxelas, para apresentação deste relatório, o alto representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Josep Borrell, recordou as eleições parlamentares, no passado sábado, “marcadas por sérias irregularidades”. “Isto tem de ser abordado e investigado, de uma maneira transparente, são muitas irregularidades e algumas são graves, alguns observadores declararam que as eleições não foram livres e justas”, acrescentou o chefe da diplomacia europeia.
A Geórgia tem de “clarificar o que aconteceu”, advertiu. Mas Josep Borrell reconheceu e lamentou que as eleições “consolidem uma tendência das autoridades georgianas de afastar o país da União Europeia, dos seus valores e princípios”. De acordo com a comissão eleitoral georgiana, o partido no poder, com o qual Bruxelas congelou as negociações de adesão à União Europeia (UE) devido à sua aproximação à Rússia, venceu as eleições com 53,92% dos votos, um resultado contestado pela oposição.
A oposição acusa o Sonho Georgiano, do oligarca Bidzina Ivanishvili, de aproximar a Geórgia da Rússia e de a afastar de uma possível adesão à UE e à NATO, dois objetivos consagrados na Constituição do país. A Presidente da Geórgia, Salome Zurabishvili, recusou-se a reconhecer os resultados e apelou aos georgianos para que protestassem nas ruas.
O relatório “mostra um caminho para voltar a esses princípios, se houver vontade política nesse sentido”, comentou, recordando que a legislação sobre interferência estrangeira e uma investigação ao processo eleitoral são condições obrigatórias. No relatório consta também que houve um recuo na reforma da justiça e no alargamento dos direitos fundamentais e que pouco foi feito para combater a corrupção.
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