Aeroporto da Portela pode ser desativado ao fim de 8 ou 9 anos
O Humberto Delgado terá de manter-se em funcionamento por, pelo menos, mais 8 ou 9 anos. Coordenadora da Comissão Técnica Independente considera que se deve perspetivar o seu encerramento.
O aeroporto Humberto Delgado poderia ser desativado quando a segunda pista do futuro aeroporto principal estivesse operacional. A Comissão Técnica Independente (CTI) responsável pelo estudo do reforço da capacidade aeroportuária na região de Lisboa estima que isso possa acontecer ao fim de oito ou nove anos.
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“A partir da segunda pista, que pode estar em operação ao fim de oito ou nove anos, é possível que o novo aeroporto possa substituir integralmente o Humberto Delgado“, afirmou esta terça-feira Rosário Macário, coordenadora da área de planeamento aeroportuário na CTI. A primeira pista, no caso da opção pelo Campo de Tiro de Alcochete, estaria pronta em sete anos.
Durante a apresentação, a coordenadora geral da CTI apontou que “do ponto de vista ambiental e da saúde pública o Humberto Delgado deve fechar”, mas que “é um ativo financeiro fortíssimo”. “A rentabilidade da ANA assim o demonstra”, disse Rosário Macário.
Fernando Alexandre, responsável pela análise económico-financeira, apontou que o encerramento da Portela “nas condições atuais tem um efeito de contração económica em Lisboa”, o que já não acontecerá se a procura poder ser satisfeita por outro aeroporto.
“As taxas de procura estão a diminuir mas a procura não está. Temos de viver com o Aeroporto Humberto Delgado nos próximos anos. O contrato de concessão configura o Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) como aeroporto único, mas é uma decisão que não é urgente. Deve-se perspetivar o seu encerramento“, defende Rosário Partidário.
Desmantelar o Humberto Delgado e renaturalizar toda a área teria um impacto negativo para o Estado de 450 milhões. Já uma urbanização de 14,7% da área teria um impacto positivo de 230 milhões.
A Avaliação Ambiental Estratégica foi lançada no ano passado pelo Governo, num acordo com o PSD, para servir de base à decisão política sobre o reforço da capacidade aeroportuária na região de Lisboa, onde a única infraestrutura está já sobrelotada.
Foram selecionadas para análise nove opções estratégicas em sete localizações: Portela + Montijo, Montijo + Portela, Campo de Tiro de Alcochete, Portela + Campo de Tiro de Alcochete, Santarém, Portela + Santarém, Pegões, Portela + Pegões e Rio Frio + Poceirão.
Para a análise das várias opções foram considerados cinco fatores críticos de avaliação: segurança aeronáutica; acessibilidade e território; saúde humana e viabilidade ambiental; conectividade e desenvolvimento económico; investimento público e modelo de financiamento. Cada um daqueles fatores inclui vários critérios, num total de 24, avaliados à luz de uma bateria de 88 indicadores.
Com a demissão de António Costa, a decisão política passa para o Executivo que sair das eleições antecipadas de 10 de março. O desejo de conciliar uma decisão entre PS e PSD mantém-se.
O relatório que será apresentado esta quarta-feira ainda é preliminar. Após a realização da conferência no LNEC, o relatório será disponibilizado para consulta pública durante 30 dias úteis. Só depois será elaborado o relatório final, concluindo os trabalhos da CTI.
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