Peso do salário mínimo no mercado de trabalho é o mais baixo desde 2015
Ministra do Trabalho revelou que peso do salário mínimo na globalidade do mercado de trabalho caiu para mínimos de 2015. Já número de trabalhadores a descontar para a Segurança Social atingiu recorde.
O salário mínimo nacional tem aumentado, ano após ano, mas a fatia de trabalhadores a recebê-lo na globalidade do mercado de trabalho tem diminuído. Este ano, atingiu mesmo o “menor peso desde 2015”, indicou esta sexta-feira a ministra do Trabalho, numa audição no Parlamento. Hoje um quinto dos trabalhadores ganham 760 euros.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
“Temos conseguido uma diminuição do peso do número de trabalhadores com salário mínimo no global dos trabalhadores em Portugal, atingindo este ano o menor peso desde 2015“, afirmou a governante, na intervenção inicial da audição sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2024.
Em janeiro, o salário mínimo vai subir 7,9%, chegando aos 820 euros, aumento que é maior “alguma vez ocorrido“, tanto em termos absolutos como relativos. Mas desde 2015 que a retribuição mínima garantida tem crescido, embora, segundo a ministra do Trabalho, a fatia dos trabalhadores a recebê-la tenha estado em queda.
Em detalhe, em 2022, 24,3% dos trabalhadores recebiam o salário mínimo nacional, enquanto hoje 20,8% dos trabalhadores estão nessa situação (ver gráfico).

Isso reflete, sublinhou esta manhã Ana Mendes Godinho, o esforço de também aumentar o salário médio dos portugueses. Por exemplo, para o próximo ano, o referencial para o aumento dos salários do privado será de 5%, realçou a governante. “E os 5% não são teto nenhum”, notou a ministra, respondendo ao Bloco e Esquerda. “São a base que ativa o incentivo fiscal” para as empresas que aumentarem os salários, esclareceu.
Por outro lado, frisou também que os jovens qualificados que estão a mudar de emprego estão a conseguir hoje um prémio salarial de 19% entre contratos.
Por sua vez, na ronda final, o secretário de Estado do Trabalho, Miguel Fontes, realçou que o mercado de trabalho está a “crescer na direção certa“, o que se vê nos dados mais recentes, nomeadamente, da valorização salarial. “Toda a estrutura salarial aumentou“, declarou.
Número recorde de trabalhadores a descontar
Na audição desta manhã, a ministra do Trabalho aproveitou também para assinalar que o mercado de trabalho tem tido “não só grande capacidade de resiliência, mas também de crescimento“.
Daí que em agosto tenha sido ultrapassada, pela primeira vez, a fasquia de cinco milhões de trabalhadores a descontarem para a Segurança Social. Destes, 720 mil são trabalhadores estrangeiros, valor que também é um recorde.
Este dinamismo do mercado de trabalho tem reforçado as receitas do sistema, sublinhou Ana Mendes Godinho, e, consequentemente, a capacidade de fazer investimento social. “Quando temos um mercado de trabalho, também temos um sistema de proteção social forte”, afirmou a governante.
No que diz respeito às contribuições, a previsão do Governo é de chegar ao fim do ano com um montante acima de 24 mil milhões de euros, um aumento de 13% face a 2022, o que traduz a subida dos salários e do número de trabalhadores a descontar.
Ainda assim, também a despesa está a crescer. “No Orçamento do Estado para 2024, temos o maior investimento social permanente e estrutural“, realçou, a propósito, a ministra do Trabalho, referindo-se, por exemplo, ao aumento do abono de família.
Na audição desta sexta-feira, Ana Mendes Godinho fez ainda um balanço da medida que garante a quem tem o Complemento Solidário para idosos uma desconto imediato nos medicamentos: só no primeiro mês, 85 mil pessoas beneficiaram deste apoio.
(Notícia atualizada às 13h05 com mais informação)
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Peso do salário mínimo no mercado de trabalho é o mais baixo desde 2015
{{ noCommentsLabel }}