Impresa perde 2,2 milhões no semestre do ciberataque. Horta Osório será vice-presidente
Ataque informático, aumento do preço do papel e subida de custos com cobertura jornalística da guerra geraram um semestre mais fraco para o grupo Impresa. Horta Osório é o novo administrador do grupo.
O ciberataque que vitimou a Impresa IPR 0,00% no início do ano não derrubou só os sites da SIC, SIC Notícias e Expresso. Também castigou duramente os resultados do grupo no primeiro semestre. A empresa, liderada por Francisco Pedro Balsemão, acaba de avançar que registou prejuízos de 2,2 milhões de euros até junho face a lucros superiores a 3,3 milhões no mesmo período do ano passado. A empresa anunciou também que António Horta Osório vai entrar no Conselho de Administração.
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“O primeiro semestre de 2022 ficou marcado por eventos com um forte impacto negativo direto nos nossos resultados, como a guerra na Ucrânia e o aumento de custos com produção e energia. Além disso, a atividade da Impresa foi condicionada por um violento e criminoso ataque informático, um teste à resiliência e à capacidade de resposta de todos os trabalhadores do grupo que foi superado com distinção”, diz o CEO, em reação aos resultados divulgados.
Na primeira metade do ano, a Impresa viu o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) total encolher 61,7%, para cerca de 4,2 milhões de euros. A maioria dos negócios do grupo registaram quebras nas receitas, mas a subida dos custos derivada da inflação e a cobertura jornalística da guerra na Ucrânia também contribuíram para o desempenho mais fraco neste período.
No total, as receitas decresceram 4,2%, para 88,2 milhões de euros. No negócio da televisão, o principal, a queda foi de 3,7%, para cerca de 77 milhões. Apesar do bom desempenho nas audiências, neste segmento específico, “os custos operacionais aumentaram 2,7%, sendo este desvio justificado, na sua maioria, pelos custos com a cobertura da guerra na Ucrânia e pelo ataque informático de que o grupo Impresa foi alvo”, aponta num comunicado.
Já no que toca ao segmento de publishing, onde se inclui o semanário Expresso, as receitas recuaram 5,5% no semestre, para 10,6 milhões de euros. A companhia explica a quebra nos rendimentos, uma vez mais, com o impacto do ataque informático. Os custos aumentaram, por sua vez, 5%, com a empresa a justificar a subida das despesas também com o “aumento do preço do papel utilizado na impressão do” jornal.
No global, os custos operacionais da Impresa subiram 3,6%, para 84 milhões de euros. Mas, apesar dos resultados negativos, a dívida remunerada líquida da dona da SIC diminuiu 14,2 milhões de euros face a 31 de dezembro de 2021, fixando-se no final de junho em 140,2 milhões, indica o grupo na mesma nota.
“Para o segundo semestre de 2022, a Impresa estará focada em aumentar a sua faturação e na eficiência operacional, com vista a melhorar o EBITDA e os resultados líquidos, em linha com o compromisso e percurso dos últimos anos. Mantém-se também o objetivo da redução da dívida líquida”, diz Francisco Pedro Balsemão.
O gestor avança, por fim, que o Conselho de Administração aprovou esta quinta-feira o novo Plano Estratégico para o período de setembro de 2022 até ao final de 2025, “através do qual se pretende o crescimento e diversificação das suas receitas, com o reforço das atividades atualmente realizadas e o desenvolvimento de novos projetos inovadores, em antecipação das tendências e oportunidades que marcam a indústria dos media”, conclui.
Impresa quer ter dois vice-presidentes: Horta Osório e Francisco Maria Balsemão
Também esta quinta-feira, a Impresa anunciou que António Horta Osório passa a integrar o Conselho de Administração no mandato em curso (2019-2022), após renúncia de um dos membros do board.
“A Impresa informa que na presente data, o administrador João Nuno Lopes de Castro apresentou a sua renúncia ao cargo de administrador da Impresa, tendo o Conselho de Administração aprovado designar nesta data, por cooptação […] António Horta Osório como novo administrador da Impresa, para o mandato em curso de 2019-2022″, informou o grupo noutro comunicado.
A Impresa propôs ainda uma alteração aos estatutos, a aprovar em assembleia-geral extraordinária, para “permitir a designação de dois vice-presidentes do Conselho de Administração, sendo intenção do Conselho de Administração, caso essa alteração estatutária seja aprovada pelos acionistas, que seja designado António Horta Osório como vice-presidente do Conselho de Administração, a par de Francisco Maria Balsemão, que já exerce essas funções”, e também presidente do Comité de Estratégia do grupo.
“António Horta Osório participará ativamente na definição da estratégia para o futuro da Impresa, em tempos de profundas mudanças para os meios de comunicação social. O Grupo beneficiará muito com a sua experiência internacional e com o seu conhecimento da realidade do nosso país”, afirma citado em comunicado Francisco Pedro Balsemão, CEO do grupo.
“É com um grande sentido de responsabilidade que darei o meu contributo para a definição da estratégia do grupo Impresa, numa altura em que o setor enfrenta importantes mudanças”, acrescenta o até janeiro chairman do Grupo Credit Suisse.
(Notícia atualizada às 17h24 com mais informação)
Evolução das ações da Impresa
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