PRR

Associação da construção defende fundo para cobrir aumentos de custos nas obras públicas

  • Lusa
  • 26 Outubro 2021

A associação aponta ainda problemas com o fornecimento de matérias-primas e com a falta de mão-de-obra. "Não sei qual deles é pior", afirmou o presidente da AICCOPN, Manuel Reis Campos.

A Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) defende a criação de um fundo para cobrir “aumentos significativos” nos custos de produção das obras públicas, sob pena de ficarem “desertos” muitos concursos do PRR.

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“O que se fez em Itália, está a fazer-se em França e nós tínhamos pedido para este Orçamento do Estado, é criar um fundo para, em obras públicas em que o Estado reconhecesse que os aumentos [do custo dos fatores de produção] foram significativos, esse fundo cobrir [a diferença] e não ter de se começar, outra vez, o concurso. Porque, daqui a pouco, não temos possibilidade de atempadamente fazer as obras que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) pretende”, afirmou o presidente da AICCOPN em declarações à agência Lusa.

Segundo Manuel Reis Campos, “Itália criou esse fundo, para os donos de obra terem maleabilidade e flexibilidade quando é reconhecido, através da revisão de preços oficiais, que o preço da obra ficou desatualizado, sendo esse valor automaticamente reconhecido e calculado”.

Se não for assim – sustentou – o que acontece é que há um desgaste permanente e, quando a obra for posta em concurso, já está desatualizada, os construtores não a podem fazer por aquele preço e não há nada que se possa fazer para corrigir o preço-base”.

Como resultado, acrescenta, corre-se o risco de “os concursos [de obras públicas], daqui a algum tempo, ficarem desertos”.

Para além da escalada do custo dos fatores de produção na construção – nos últimos 12 meses o preço do aço em varão para betão aumentou 55%, o do alumínio 59% e o do cobre 46%, por exemplo, a que se junta a subida dos custos dos combustíveis e da energia – a AICCOPN considera tanto, “ou até mais”, preocupante a falta de mão-de-obra no setor.

“Além deste problema das matérias-primas, temos o problema grave da mão-de-obra e não sei qual deles é pior”, afirmou Reis Campos.

Salientando que “o setor precisa de 70 mil trabalhadores”, mas “neste momento não há mão-de-obra”, o dirigente associativo questiona o porquê de, segundo os dados oficiais, estarem registados no fundo de desemprego “32 mil trabalhadores da construção”.

“Não se percebe porquê, mas é verdade”, lamenta.

Ainda assim, e apesar das “fortes disrupções em toda a cadeia de produção” que a escassez e encarecimento das matérias-primas está a provocar, o presidente da AICCOPN diz não ter conhecimento de obras paradas no país por falta de materiais.

“A falta de matérias-primas sabemos é um problema generalizado, mas não é um problema fulcral que esteja a levar à paragem de obras”, disse, explicando que “uma obra é composta por muitas especialidades, portanto há umas que vão andando e outras que atrasam” quando falta material.

Segundo Manuel Reis Campos, haverá é, certamente, obras que “não foram ainda concluídas por falta de determinadas matérias-primas ou equipamentos”, nomeadamente os que têm de ser importados, mas não têm chegado à associação relatos de “obras paradas ou sem arrancar por falta de matérias-primas”.

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