Ghosn utilizou passaporte extra para fugir do Japão

  • ECO e Lusa
  • 2 Janeiro 2020

Empresário tinha dois passaportes franceses, um dos quais terá usado para entrar legalmente no Líbano. Advogado garante que os documentos estavam confiscados.

Carlos Ghosn, antigo presidente da Renault-Nissan, fugiu do Japão para o Líbano com um passaporte “extra” que tinha em sua posse. Utilizou um dos dois documentos franceses — o original estava confiscado, mas este “extra”, não — para apanhar um voo num avião privado que ainda fez escala na Turquia, em Istambul, antes de chegar ao Líbano.

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Segundo fontes ouvidas pela NHK, uma estação de rádio japonesa, citadas pelas Reuters (acesso livre), o empresário tinha dois passaportes franceses, um dos quais não era do conhecimento das autoridades japonesas. Terá usado esse para entrar no Líbano. A rádio pública japonesa garante que as autoridades libanesas disseram que Ghosn entrou legalmente no país com esse passaporte francês.

O empresário tem cidadania francesa, libanesa e brasileira e estava em prisão domiciliária no Japão por, entre outros crimes, evasão fiscal. Entre as condições estabelecidas para a libertação sob fiança estava a entrega de todos os passaportes, num total de três. Inicialmente estes documentos estavam todos sob a alçada das autoridades nipónicas. No entanto, em maio do ano passado os advogados de Ghosn pediram para mudar algumas das condições e o juiz permitiu que o antigo presidente da Renault-Nissan ficasse com um dos dois passaportes franceses, escreve o El Economista (acesso livre, conteúdo em espanhol).

Apesar de apreendidos os passaportes, Ghosn saiu do país. Utilizou, segundo a NHK, uma companhia de segurança privada na fuga, tendo depois recorrido a um jato privado para sair do Japão rumo à Turquia, onde fez escala.

O Ministério do Interior turco abriu uma investigação para determinar as condições em que Ghosn conseguiu transitar pela capital turca, informou o canal de notícias NTV, citado pela AFP. As autoridades turcas já detiveram sete pessoas suspeitas de ajudar o antigo presidente da Renault-Nissan na sua fuga do Japão. Além de quatro pilotos, foram presos um gerente de uma empresa de cargas e dois funcionários do aeroporto.

Ghosn protegido no Líbano. E em França também

A fuga para o Líbano permitiu a Carlos Ghosn evitar a extradição para o Japão, onde é alvo de várias acusações. Com nacionalidade francesa, o presidente da Renault-Nissan também não será extraditado caso vá para França, garantiu esta quarta-feira a secretária de Estado da Economia francesa, Agnès Pannier-Runacher, no canal BFMTV.

“Se o senhor Ghosn vier para França, não o extraditaremos, isso porque a França nunca extradita os seus nacionais. Portanto, aplicamos ao senhor Ghosn e a todos as mesmas regras do jogo”, disse a secretária de Estado francesa. No entanto, Agnès Pannier-Runacher considerou que Ghosn não deveria ter fugido dos tribunais japoneses.

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