Além das operações stop, o que o Fisco está a fazer para reforçar cobrança de dívidas
Além de megaopeações em casamentos e festivais e das polémicas operações stop, o Fisco tem uma estratégia traçada desde 2015 para melhorar a eficiência da cobrança de dívida.
A última semana ficou marcada pelas polémicas operações stop levadas a cabo pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) e pela GNR para cobrar dívidas fiscais. Mas cruzar matrículas com números de contribuinte não era a única estratégica prevista pelo Fisco para “reduzir as oportunidades de evasão fiscal”. No Plano Estratégico 2015-2019, a AT dedica um capítulo à eficácia da cobrança fiscal e indica mesmo múltiplas formas de reforçar a recolha dessas dívidas, que vão desde o aumento do número de colaboradores à criação de um modelo de sinalização antecipada do risco de incumprimento.
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Na manhã do dia 28 de maio, os condutores de Alfena, Valongo, foram surpreendidos por uma operação stop realizada por 20 elementos da AT e dez militares da GNR com o objetivo de cobrar dívidas fiscais. No âmbito desta “Ação sobre Rodas”, as autoridades estavam a cruzar as matrículas com a situação dos proprietários dessas viaturas no Fisco, convidando os condutores com dívidas a saldarem tais valores. Caso não o fizessem, a GNR e a AT estavam em condições de penhorar os automóveis.
Poucas horas depois de ter arrancado, esta operação stop em Alfena foi cancelada pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, que a considerou “desproporcionada”. Além desta operação em Valongo, já outras tinham acontecido no Porto, nas semanas anteriores, e outras mais estavam agendadas.
A somar a esta estratégia, o Fisco planeava ainda passar o verão numa megaoperação de fiscalização em casamentos e festivais, que tinha como foco as empresas e as pessoas singulares que se dedicam a atividades económicas relacionadas com esses eventos. O ministério de Mário Centeno acabou por também cancelar essas operações em casamentos, considerando que tais ações perturbariam o “normal funcionamento da cerimónia”.
Operações de stop e casamentos à parte, são vários os instrumentos planeados pela AT, no seu Plano Estratégico 2015-2019, para “garantir a eficácia na gestão e cobrança fiscal e aduaneira”.
“Para alcançar este objetivo é fundamental a implementação de estratégias direcionadas para o constante aumento dos níveis de cumprimento voluntário, por um lado, apoiando e facilitando o cumprimento e, por outro lado, reduzindo as oportunidades de evasão fiscal e aduaneira e melhorando a eficiência da AT”, lê-se nesse plano, enumerando vários caminhos para chegar a esse objetivo.
Nesse documento, a AT defende que a “cobrança coerciva deverá continuar a ser assegurada”, nomeadamente através da “constituição de um Plano de Redução dos Impedimentos Processuais e de Impulso de Cobrança Coerciva com o objetivo de detetar constrangimentos processuais ao níveis da execução fiscal”, da criação de um modelo de sinalização antecipada para o risco acrescido de incumprimento fiscal, do estudo do “perfil dos devedores em execução fiscal” e da “segmentação dos devedores em execução fiscal”, identificando grupos diferenciados com comportamentos homogéneos.
A propósito da avaliação do risco de incumprimentos, a AT prevê a adoção de “abordagens inovadoras” e a “agilização dos procedimentos” e diz estar empenhada na “deteção de áreas de alto risco de incumprimento”, aplicando métodos analíticos de investigação. Além disso, defende-se: “A diminuição do incumprimento fiscal, otimizando o potencial de sinergias de informação, entre as áreas tributária e aduaneira da AT, bem como a partilha com outras administrações fiscais e aduaneiras e a outras entidades da Administração Pública”.
No que diz respeito a essas “abordagens inovadoras”, a AT antecipa um aumento do número de colaboradores afetos à inspeção tributária e aduaneira, reforçando a sua formação; otimizar os sistemas de informação; e desenvolver “ferramentas de auditoria que automatizem testes substantivos, com recurso aos ficheiros SAF-T”.
Já quanto à “deteção de áreas de alto risco de incumprimento”, o Fisco prevê identificar “os setores e categorias de contribuintes e operadores económicos mais sensíveis em termos de evasão e fraude fiscal”.
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