Salários aceleram com redução do desemprego

O Banco de Portugal reviu em baixa a previsão da taxa de desemprego para este ano para 7%. A melhoria no mercado de trabalho permite uma aceleração nos salários, que beneficia o consumo privado.

Os salários em Portugal estão a acelerar em resultado das melhorias no mercado de trabalho. A conclusão é do Banco de Portugal que esta quinta-feira reviu em baixa a previsão de taxa de desemprego para este ano para 7%.

“Os salários deverão acelerar, pressionados pela redução da taxa de desemprego, pelo impacto do aumento do salário mínimo nacional e pelo descongelamento gradual das progressões salariais na Administração Pública”, lê-se no Boletim Económico publicado esta quinta-feira pelo Banco de Portugal.

O banco central explica que, “tal como na área do euro, a melhoria das condições no mercado de trabalho em Portugal tem-se refletido num maior crescimento dos salários no período mais recente”. A instituição olha para três indicadores:

  1. “De acordo com os dados disponibilizados pelo Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, no primeiro semestre de 2018, as remunerações base por trabalhador declaradas à Segurança Social registaram um crescimento de 2,2%, o que representa uma aceleração face ao valor de 1,7% observado no conjunto de 2017.”
  2. “A evolução das remunerações reflete igualmente o maior dinamismo da contratação coletiva em Portugal, traduzida no aumento do número de instrumentos de regulamentação coletiva. Até julho de 2018, foram publicados 173 novos instrumentos, abrangendo cerca de 520 mil trabalhadores, que se traduziram num crescimento das remunerações médias convencionadas de 3%.”
  3. “Dada a sua importância crescente na distribuição salarial em Portugal, o crescimento das remunerações em 2018 estará igualmente a refletir o aumento do salário mínimo nacional. No início do ano, o salário mínimo nacional aumentou de 557 para 580 euros, o que se traduz num aumento acumulado de 19,6% desde o final de 2014.”

Quanto à evolução da taxa de desemprego, o banco diz que “a evolução projetada para o mercado de trabalho para 2018 caracteriza-se por um aumento do emprego de 2,3%, inferior em um ponto percentual ao observado em 2017. A taxa de desemprego continua a sua trajetória descendente, devendo situar-se em 7% no conjunto do ano de 2018 (menos 1,9 pontos comparativamente a 2017).” Nas últimas previsões, avançadas em junho, o banco central apontava para uma taxa de desemprego de 7,2%.

Remunerações por empregado e taxa de desemprego

O banco central explica que, comparativamente com o Boletim Económico de junho, “verifica-se uma revisão em baixa do emprego e da taxa de desemprego, num quadro de revisão também em baixa da taxa de atividade”.

A melhoria das condições no mercado de trabalho, conjugada com a recuperação da confiança das famílias — que se situa em “níveis historicamente elevados” — tem permitido um “crescimento significativo do rendimento disponível real das famílias”, que por sua vez alimenta o consumo privado.

No novo cenário macroeconómico, o Banco de Portugal revê em alta face a junho a sua previsão de crescimento do consumo privado de uma taxa de crescimento de 2,2% para uma taxa de crescimento de 2,4%. Isto significa que apesar do abrandamento económico previsto entre 2017 e 2018, o consumo privado deverá acelerar, já que em 2017 apresentou uma taxa de variação de 2,3%.

O consumo privado é a componente com maior peso no PIB — valendo quase 65%. No entanto, esta revisão em alta da projeção da variação do consumo privado não chegou para provocar uma alteração semelhante na variação do PIB (mantém-se a previsão em 2,3%), já que o Banco de Portugal está mais pessimista quanto ao investimento e às exportações.

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