Visco: Subida dos juros do BCE pode acontecer mais cedo

Mesmo depois do fim da compra de obrigações, o BCE diz que os juros vão continuar baixos durante algo tempo. Mas este período pode ser encurtado. Quem o defende é o governador do Banco de Itália.

O Banco Central Europeu (BCE) prometeu manter as taxas de juro baixas durante algum tempo mesmo depois de acabar com a compra de obrigações. Mas isto pode não acontecer exatamente desta forma, defende o governador do Banco de Itália. Ignazio Visco, que faz parte do conselho de governadores do banco liderado por Mario Draghi, diz que este período pode ser encurtado.

O governador do Banco de Itália diz que as taxas de juro podem subir mais cedo do que o previsto. Embora a previsão atual do BCE indique que os custos de financiamento vão continuar nos níveis atuais ou mais baixos “durante um longo período” e que só vão subir “muito depois” do fim das compras de obrigações que Mario Draghi leva a cabo, Ignazio Visco defende que este período pode ser encurtado.

“Não posso dizer que o programa de alívio quantitativo está, de certa forma, a terminar e que, ao mesmo tempo, as taxas de juro vão continuar em níveis baixos”, diz o responsável, que faz parte do conselho de governadores do BCE, à Bloomberg. “Vamos discutir um pacote de medidas e não medidas individuais”, diz o governador do Banco de Itália. As implicações de um período longo de taxas abaixo de zero têm sido motivo de debate. Isto numa altura em que o BCE prepara um plano para abandonar o estímulo monetário num período de três anos, num cenário de recuperação económica e aceleração da inflação.

Citada pela Bloomberg, uma fonte próxima do assunto já tinha referido que o BCE está a considerar subir a taxa de juro ainda antes de acabar com o programa de estímulos à economia. Esta hipótese terá sido ponderada na reunião de 10 de março, onde os membros do conselho de governadores discutiram maneiras de acabar com os estímulos económicos inconvencionais, mas não foi apresentada a público qualquer estratégia em específico.

O responsável realça ainda que o alívio quantitativo, as taxas negativas e a orientação futura fazem todos parte de um único pacote de política, acrescentando que a dimensão do balanço será um tema importante nas próximas discussões. “A consistência entre as várias componentes é importante”, nota.

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