UGT aproveita Congresso para lançar repto aos patrões

  • ECO e Lusa
  • 19 Março 2017

Carlos Silva acredita que o Governo está comprometido em reverter as medidas impostas durante a ajuda externa.

 

A UGT vai aproveitar o seu XIII Congresso, que se realiza nos dias 25 e 26 de março, para lançar um repto aos representantes das confederações patronais.

“Vou desafiar os empregadores (…) para abrirem as portas ao movimento sindical”, declarou Carlos Silva em entrevista à agência Lusa, acrescentando que não faz sentido a atitude ainda assumida por muitas empresas contra os sindicatos e a falta de disponibilidade para negociar melhores condições de trabalho.

Para o secretário-geral da UGT, a negociação e o diálogo social são fundamentais para o país e os empregadores também têm de perceber isso e valorizar o papel dos sindicatos.

Carlos Silva reconhece o decréscimo na sindicalização, agravado pela crise económica, e recomendou a aproximação aos trabalhadores, prática que diz seguir e que já deu resultados. O líder da UGT já tinha indicado ao ECO que “só com a reestruturação do setor bancário”, a central tinha perdido “cerca de 10 mil sócios”.

Quando assumiu a liderança da UGT, Carlos Silva prometeu também, além do sindicalismo de bases, uma aproximação à sua congénere, a CGTP, mas reconhece os fracos resultados e assume a sua quota-parte de responsabilidade no falhanço. “Não estou a dizer que a culpa é da outra central, também assumo a minha parte. Mas não é fácil trabalhar quando há ideias pré-concebidas em relação a determinadas matérias”, disse à Lusa.

Lembrou que, “apesar de todas as dificuldades, nos momentos-chave, o movimento sindical esteve unido em lutas setoriais”, nomeadamente nos transportes, na administração pública e na educação.

Carlos Silva acredita que o entendimento da esquerda parlamentar permitiu aliviar a austeridade mas vai mais longe ao salientar que o Governo está comprometido em reverter as medidas impostas durante a ajuda externa. Isto apesar de, em fevereiro, o primeiro-ministro António Costa ter afirmado que “é, talvez, boa altura” para estabilizar a legislação laboral, que anda a ser revista “há anos”.

A UGT espera que o debate em concertação social inverta algumas medidas que penalizaram os trabalhadores nos últimos anos, apontando para a caducidade das convenções coletivas de trabalho e as indemnizações por despedimento. Matérias que também foram aceites pela UGT em 2012, quando Portugal estava sob a assistência da troika — era João Proença líder da central.

 

 

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