Cristas: Centeno “nunca fala da dívida”

O Governo não se bateu para sair do PDE ainda em 2016 "porque não lhe interessava", acusa a líder centrista. Já as melhorias no mercado de trabalho resultam das reformas do Executivo de Passos Coelho.

A notícia de que o défice deverá ficar abaixo dos 2,1% do PIB não impressiona a líder do CDS-PP. Para Assunção Cristas, “é importante sabermos como é que lá se chega e conhecer a qualidade que está subjacente a esse défice”, e criticou o corte no investimento público feito pelo Governo de António Costa assim como a inversão da evolução da dívida, que “não está a descer como deveria estar”.

Assunção Cristas, entrevistada esta quinta-feira no ECO Talks, aproveitou para afirmar que “o mundo de Mário Centeno não está assim tão cor-de-rosa porque ele nunca fala na dívida”. Para a líder do CDS-PP, não está a ser dado destaque suficiente à trajetória da dívida pública, que estava a descer no final do governo PSD-CDS de Pedro Passos Coelho e que, agora, “não está a descer como poderia estar”. Também os números do crescimento, que se revelaram acima das expectativas da Comissão Europeia, são insuficientes para Cristas, que rejeita que a conjuntura internacional tenha mudado para pior desde a estimativa inicial de António Costa de crescer 2,4% em 2016.

E a saída do Procedimento por Défice Excessivo, a vigilância mais atenta em que Portugal foi colocado pelas autoridades europeias devido ao seu défice acima de 3%? Para a líder centrista, importava que António Costa se tivesse batido em Bruxelas para uma saída ainda em 2016, mas “interessava dizer que 2016 era o primeiro ano em que ficava abaixo de 3%”, acusa. “O Governo errou muito, a meu ver”.

Assunção Cristas também vê com maus olhos a subida dos juros da dívida soberana, uma preocupação que diz ser generalizada já que “voltou a ser notícia a ida do país ao mercado para se financiar”. O aumento dos juros, que ultrapassaram em janeiro e se têm mantido acima do limiar dos 4% a dez anos, é “um sinal gravíssimo” para a líder do CDS-PP.

Sucesso no emprego é resultado das reformas PSD-CDS

Sobre a criação de 100 mil postos de trabalho em 2016 e a descida da taxa de desemprego, Assunção Cristas propõe uma explicação: “Tem muito possivelmente a ver com as reformas laborais feitas pelo anterior Governo”. Reformas essas que afirmou estarem em risco devido à vontade dos partidos mais à esquerda que suportam o Governo de “mexer nessa área”.

“Se não é a economia que está a proporcionar um grande crescimento de postos de trabalho, provavelmente terá a ver com as circunstâncias regulatórias” criadas pelo Executivo PSD-CDS, propõe Cristas, que defende a “estabilidade laboral” — sem mexidas no Código do Trabalho, como propõe o Bloco de Esquerda.

Veja aqui a conferência ECO Talks completa:

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