Ferraz da Costa: Caixa “vai pagar indemnizações principescas”

"Não há ninguém que diga que isto afeta o princípio da igualdade ou da proporcionalidade? Onde é que está o Tribunal Constitucional?", questiona o presidente do Fórum para a Competitividade.

O presidente do Fórum para a Competitividade diz que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai pagar “indemnizações principescas” aos trabalhadores que venham a abandonar o banco, depois de ter aumentado os salários em “quase 70% entre 2004 e 2010”.

“Devem ter aquelas vantagens todas do sistema bancário em termos das reformas e das reformas antecipadas que agora é pago por nós todos através da Segurança Social, porque entretanto o sistema foi metido na Segurança Social”, afirmou Pedro Ferraz da Costa em entrevista ao Jornal de Negócios. E questionou: “Não há ninguém que diga que isto afeta o princípio da igualdade ou da proporcionalidade? Onde é que está o Tribunal Constitucional?”

Ferraz da Costa salienta ainda que não acredita “no Estado a tomar conta das coisas” e por isso entende que “é melhor não nacionalizar” o Novo Banco. Uma posição que assume tendo por base a sua experiência: “as coisas que foram feitas na Caixa Geral de Depósitos em termos de empréstimos eram alguma vez possíveis se o banco fosse privado!”.

O antigo líder da CIP — Confederação Empresarial de Portugal salienta ainda que é contra o salário mínimo “no geral”. Sublinha que existem “30 mil salários mínimos em Portugal”, referindo-se aos limites fixados em convenções coletivas de trabalho. “Quando os sindicatos dizem que não se valoriza a negociação coletiva, os próprios a desvalorizam através do salário mínimo”, diz o ex-líder patronal, acrescentando: “Se as pessoas tiverem um salário mínimo, que é fixado pelo Governo, 50% dos interessados na contratação coletiva deixam de estar [interessados]. Têm o problema das remunerações à volta do salário mínimo resolvidas muito mais por decisões governamentais na concertação social do que na negociação setorial”.

Sem salário mínimo fixado pelo Governo, “os setores com mais futuro pagariam mais e os com menos futuro pagariam menos”, refere. Ferraz da Costa diz mesmo que “às vezes” tem “dificuldade em perceber o que leva os patrões a assinar estes acordos“. “Mas suponho que foi uma tentativa de travar mais algumas reversões das medidas tomadas no tempo da troika na área laboral”, remata.

Olhando já para o cenário político, Ferraz da Costa diz que ficou admirado com a proposta fiscal feira por Rui Rio: “Não sei se em termos do seu futuro político não foi uma proposta suicida. A maior parte dos eleitores do PSD acharão aquilo péssimo. Se calhar comprometeu-se definitivamente. E a dra. Cristas está concentrada na Câmara de Lisboa”, diz.

O presidente do Fórum para a Competitividade entende que há um problema na oposição e acrescenta: “Só estou a constatar que se houver uma chatice nos mercados financeiros ficamos aí a pedir mais um resgate que, ainda por cima, ninguém nos vai dar, e anda aí tudo muito descansado”.

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