Juros abaixo de 4% com bom desempenho da economia

Taxa a dez anos regressa a um nível abaixo de 4%, depois de atingir máximos de quase dois anos. A divulgação dos dados da economia portuguesa ajudou a aliviar a perceção de risco dos investidores.

Em Dia de S. Valentim, Portugal deu uma prenda aos investidores ao apresentar um desempenho económico acima do esperado. A economia portuguesa cresceu 1,4% no conjunto de 2016, uma performance que supera tanto as expectativas dos economistas, que apontavam para um aumento de 1,3%, como a meta definida pelo Governo em outubro, que era de 1,2%. Depois de conhecidos os números, às 9h30, os juros da dívida portuguesa reforçaram a tendência baixista que levou a taxa a dez anos novamente abaixo dos 4%.

Neste momento, a yield associada às Obrigações do Tesouro a dez anos, a referência no mercado, cai mais de dois pontos base para 3,981%. Mas o comportamento de alívio estende-se a todos os prazos. A taxa a cinco anos cede mais de quatro pontos base para 1,991%. E, nas maturidades mais curtas, os juros mantinham-se em zona negativa, com a taxa a 12 meses nos -0,08%.

Segundo informou o INE, no último trimestre do ano, o crescimento homólogo foi de 1,9%, acelerando face ao valor que tinha sido registado no terceiro trimestre (1,6%), um desempenho que ficou acima da média tanto do euro (1,7%), como na União Europeia (1,8%). “Esta aceleração do PIB resultou do aumento do contributo da procura interna, observando-se uma recuperação do Investimento e um crescimento mais intenso do consumo privado”, explicou o INE.

Juros em baixa com economia em alta

Este alívio acontece num altura de aperto dos mercados que, desde o início do ano, têm pressionado os juros portugueses para máximos desde março de 2014, com evidentes consequências para o financiamento do Estado. No último leilão de dívida, para se financiar a sete anos, o Tesouro português pagou o dobro do que havia pago apenas oito meses antes.

Portugal vai novamente aos mercados esta quarta-feira para tentar levantar entre 1.000 milhões e 1.250 milhões de euros em títulos a três e 11 meses. Tudo aponta para uma baixa nos custos de financiamento de curto prazo na operação de amanhã, com os investidores a “pagarem” ao Governo para absorver Bilhetes do Tesouro portugueses, ao contrário do que tem acontecido no financiamento de longo prazo.

Entre os fatores que têm causado maior apreensão entre os investidores está a redução do ritmo de compras de dívida portuguesa por parte do Banco Central Europeu. Isso mesmo salientou Cristina Casalinho, presidente do IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, em entrevista ao Público (acesso pago) publicada esta segunda-feira. Sobre os juros acima de 4%, Casalinho reconheceu o impacto causado pelo BCE, mas considerou que “as taxas subirem um bocadinho não é necessariamente mau para se registar uma normalização e os investidores voltarem a sentir-se confortáveis com a dívida pública europeia”, mesmo que suba para “um nível mais alto do que aquilo de que gostaríamos”.

Mas além da autoridade monetária e da subida da taxa de inflação na zona euro, outros riscos específicos do país têm sido sinalizados pelos analistas. Um dos motivos de maior preocupação tem sido a banca, nomeadamente o Novo Banco e a Caixa Geral de Depósitos, dois dossiês que podem vir a ter impacto nas contas públicas.

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