Euronext: Empresas familiares vão “subir de divisão”

O programa da Euronext para atrair empresas familiares para a bolsa vai contar com pelo menos cinco participantes por edição. Uma iniciativa que promove uma alternativa de financiamento às empresas.

A Euronext quer atrair mais empresas familiares para a bolsa. Mas como? Através do programa FamilyShare, hoje apresentado nas instalações da dona da bolsa de Lisboa. Depois de constituída a equipa, a Euronext e os seus parceiros vão agora passar à seleção das empresas, que serão no mínimo dez nas duas edições que estão agendadas para abril e setembro.

“As empresas vão subir de divisão, vão jogar noutro campeonato.” É assim que o presidente da Associação das Empresas Familiares, Peter Villax, se refere à iniciativa da Euronext. Se tem uma empresa familiar, a partir deste mês poderá recorrer ao mercado de capitais para se financiar. Uma alternativa de financiamento que, segundo a dona da bolsa da Lisboa, não é “suficientemente aproveitada”.

"As empresas vão subir de divisão, vão jogar noutro campeonato (...) Temos de desafiar os empresários”

Peter Villax

presidente da Associação das Empresas Familiares

A operadora da bolsa vai prestar apoio e assistência aos pequenos empresários que pretendam colocar os seus negócios no mercado de capitais. A iniciativa inclui roadshows em toda a Europa para encontros com os investidores, cobertura financeira através de um programa da Morninstar e uma secção exclusiva no site da Euronext.

A ainda presidente da Euronext, Maria João Carioca — que vai para a Caixa Geral de Depósitos em março — refere que as “empresas familiares são uma parte muito importante do tecido empresarial”. Estamos a falar de cerca de 60%. Mas apenas 20% está cotado em bolsa. E este programa — com a duração de um ano — terá como objetivo atrair as empresas familiares para o mercado de capitais. A primeira edição arranca já em abril e a segunda começa apenas alguns meses depois, em setembro. E cada “turma” contará com cinco a oito empresas. Mas o número é “indicativo”, realça Pedro Wilton, da Euronext Lisbon.

Uma lista que está agora a ser reduzida até se chegar aos escolhidos. Critério? Ser uma empresa familiar, independentemente da dimensão. Este trabalho está a ser feito pelos parceiros, que já são conhecidos: Caixa Banco de Investimento; Cuatrecasas, Gonçalves Pereira; E&Y; JLM & Associados e Nova School of Business & Economics. Um grupo que também inclui a associação liderada por Peter Villax.

No dia 21 de fevereiro, serão conhecidos os nomes das empresas escolhidas. Mas também será lançado, como já tinha sido anunciado, um índice bolsista dedicado às pequenas e médias empresas, o Euronext Family Business Index. O índice terá 90 empresas familiares, desde grandes empresas a pequenas e médias empresas nos quatro países cobertos pela Euronext.

Interessados? “Há 30 empresas”

O presidente da Associação das Empresas Familiares diz que entre os seus associados, há 30 que podem preencher o critério e que estão interessados em entrar na bolsa. Mas Pedro Wilton, da Euronext Lisbon, deixa claro que não há objetivos fixados, “quantas mais melhor, se tivermos uma ou duas empresas na bolsa ao fim de um ano ficaríamos muito felizes”.

Atualmente, são 201 os negócios familiares que estão listados no mercado da Euronext, dona da gestora do português PSI-20. Mas quer mais pequenas e médias atividades de âmbito familiar na bolsa. Portugal é o segundo país a lançar este programa, acompanhando França, onde o projeto arrancou na semana passada, e também a Bélgica e a Holanda, apesar de a iniciativa estar mais atrasada nestes dois países.

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