Salário mínimo ganha peso nas atividades administrativas

Os dados reportam a abril de 2016 e mostram que o peso de trabalhadores a receber salário mínimo aumentou em todos os setores menos na construção.

É nas atividades administrativas, no alojamento e restauração e nas indústrias transformadoras que há mais trabalhadores a receber salário mínimo. E é nas áreas relacionadas com eletricidade, gás e água que há menos.

De acordo com dados do Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho, que reportam a abril de 2016, as atividades administrativas e dos serviços de apoio passaram a deter a maior proporção de trabalhadores por conta de outrem a receber remuneração mínima garantida, na altura de 530 euros: 36,3%. Isto depois de uma subida acentuada (de 11,8 pontos percentuais) face ao mesmo período do ano anterior.

Em abril de 2015 — quando o salário mínimo ficava ainda nos 505 euros — esta atividade ocupava então o quinto lugar da tabela. Em outubro daquele ano, passa para a terceira posição e já em abril de 2016 torna-se a atividade com maior percentagem de trabalhadores a tempo completo a receber a remuneração mínima, ocupando o lugar então preenchido pelas atividades de alojamento, restauração e similares.

No extremo oposto estão as atividades financeiras e de seguros e o setor de eletricidade, gás, vapor, água e ar, onde o peso de trabalhadores a receber salário mínimo é reduzido (2,2% e 0,4%, respetivamente).

(Valores em percentagem dos trabalhadores por conta de outrem)
(Valores em percentagem dos trabalhadores por conta de outrem a tempo completo) Fonte: GEP

 

As conclusões constam do Inquérito aos Ganhos e à Duração do Trabalho, que, por ser realizado semestralmente, avança dados referentes a abril e a outubro. É abrangida a generalidade dos setores no Continente, excluindo, por exemplo, a Administração Pública ou a agricultura.

Os dados permitem concluir que, à exceção da construção, o peso de trabalhadores a receber salário mínimo aumentou em todos os setores face a abril de 2015, quando o salário mínimo era 25 euros mais baixo.

Contas feitas, em abril de 2016, o salário mínimo de 530 euros abrangia 25,3% dos trabalhadores por conta de outrem a tempo completo, indica o inquérito. Porém, o ministério do Trabalho já divulgou outros dados, referentes a setembro: o número de trabalhadores a receber o valor mínimo garantido correspondia a 20,5% do total das remunerações declaradas, de acordo com dados provisórios baseados nas declarações de rendimentos à Segurança Social, relativos ao Continente.

Ganho médio recua em abril, mulheres continuam a receber menos

Entre remuneração base, prémios, subsídios regulares e horas extra, os trabalhadores dependentes recebiam, em média, 1.138,53 euros brutos em abril de 2016. Em causa está uma quebra de 0,2% face ao período homólogo. Já em comparação com outubro de 2015, o ganho aumentou 0,7%.

Por seu turno, a remuneração base atingiu 957,61 euros em abril, mais 0,7% em termos homólogos.

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E é o setor que paga menos salários mínimos que apresenta remunerações mais elevadas. As atividades relacionadas com eletricidade, gás, vapor, água e ar contavam com um ganho médio de 2.854,48 euros em abril, enquanto a remuneração base era de 2.022,2 euros. No extremo oposto está o alojamento e restauração, com um ganho de 775,75 euros e uma remuneração base de 713,9 euros.

Face a abril de 2015, foram os “transportes e armazenagem” que registaram o maior aumento do ganho (4%). Já a descida mais acentuada coube às atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas (18,5%).

A disparidade salarial entre homens e mulheres continua a ser uma realidade. Se, em abril de 2016, o ganho médio dos homens era de 1.259,46 euros, o das mulheres ficava em 993,28 euros.

Já por nível profissional, são os operários e aprendizes que saem a perder. Os dirigentes recebem 3,3 vezes mais do que um aprendiz — com ganhos médios brutos de 2.238,05 e 670,45 euros respetivamente.

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