UGT pressiona Passos: voto contra descida da TSU terá “consequências desastrosas”

  • ECO
  • 14 Janeiro 2017

Não são só os patrões que ficam descontentes se a TSU não descer. Carlos Silva, da UGT, avisou o PSD para as consequências desastrosas de impedir a medida através do Parlamento.

A pressão a Passos Coelho chega de todos os lados. Se Passos Coelho não arrepiar caminho e votar mesmo contra a descida da TSU, haverá “consequências desastrosas” para a concertação social, avisou este sábado a UGT.

A descida da TSU das empresas está prevista no acordo de concertação social que consagrou o aumento do salário mínimo, mas tanto o Bloco de Esquerda como o PCP admitiram levá-la ao Parlamento. E Passos Coelho já prometeu votar ao lado da esquerda.

“O barulho, que neste momento está muito mediatizado, é sobretudo a reação do PSD, que nos parece pouco ponderada. Não está a ser ponderada a consequência negativa que advém para os parceiros sociais”, afirmou Carlos Silva, à agência Lusa.

O líder da UGT disse esperar que o PSD “seja responsável”, na medida em que, “da sua decisão, podem resultar consequências desastrosas para a concertação social e para os parceiros sociais”.

“Como é que o PSD vai encarar no futuro a sua relação com os mesmos parceiros em quem vem dar uma machadada final?”, questionou Carlos Silva.

Na quinta-feira passada, o secretário-geral da UGT já tinha assumido que o chumbo da baixa da TSU seria como “um murro no estômago”.

PCP e BE são “coerentes”

Já sobre a posição do PCP e do Bloco de Esquerda contra a descida da TSU, Carlos Silva considerou-a coerente, uma vez que os partidos sempre manifestaram a sua oposição à medida.

“Há coerência na atuação [do PCP e do BE]. O que não é coerente é que um partido como o PSD, que desde sempre apoiou a concertação social e respeitou os vários parceiros, venha agora pôr em causa um acordo subscrito entre os vários parceiros em causa. Parece-nos uma atuação que esvazia a concertação social e pode dar uma machadada ao que é a concertação social”, acrescentou Carlos Silva.

Sobre a descida da TSU, o responsável diz que a UGT dará o seu parecer no início da próxima semana, lembrando que a central sindical nunca deu o seu acordo “de uma forma claramente assertiva” à descida da taxa social única em 1,25 pontos.

“Sempre dissemos que a questão da TSU era uma medida transitória e excecional e não devia continuar a ser uma moeda de troca. Mas um acordo de concentração é um acordo de médio prazo. Um acordo que tem um conjunto de clausulado que para nos é fundamental”, afirmou.

O secretário-geral da central sindical UGT, Carlos Silva, disse não ter qualquer indicação até ao momento de uma data para a assinatura do acordo de concertação social que ficou firmado em dezembro e que consagrou o aumento do salário mínimo.

Hoje, o jornal Público noticia que a UGT, a Confederação dos Agricultores de Portugal e a Confederação Empresarial de Portugal vão assinar o acordo de concertação social na próxima sexta-feira.

 

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