Municípios: despesa na cultura aumenta, mas aquém dos níveis pré-crise

No ano passado, as autarquias gastaram 392,2 milhões de euros em atividades culturais e criativas. Em 2009, ano de autárquicas, a despesa com cultura chegou a ultrapassar os 600 milhões de euros.

A despesa das câmaras municipais com a Cultura subiram em 2015, mas ainda estão aquém dos valores registados antes da crise económica e financeira atingir Portugal. Desde 2005, o ano de 2009 foi aquele em que as autarquias mais gastaram com Cultura: o valor chegou a ultrapassar os 600 milhões de euros, mas depois diminuiu bruscamente e, em 2015, não chega aos 400 milhões de euros.

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No ano passado, as autarquias gastaram 392,2 milhões de euros em atividades culturais e criativas. A informação consta das estatísticas sobre cultura divulgadas esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística e revelam um aumento de 38,8 milhões de euros face ao ano anterior. “O acréscimo de 11% deveu-se ao incremento de 41,2% nas despesas de capital (mais 26,2 milhões de euros), e 4,4% das despesas correntes”, explica o INE.

Dados do INE
Fonte: INEDados do INE

O maior aumento da despesa foi feita pelas autarquias da zona centro de Portugal com uma contribuição de 25,8%, seguida pelo Algarve (+17,5%), Alentejo (+14,3%) e Norte (+12%). Em sentido contrário, os municípios da Área Metropolitana de Lisboa contribuíram negativamente para a evolução das despesas com cultura (-6,5%). No total, a despesa com a cultura, em média, representou 5,4% do Orçamento total das autarquias em 2015.

A maior parte desse dinheiro público foi para apoiar entidades culturais e criativas. Segue-se o património cultural com 24,5% da despesa total em cultura, em 2015, o que se traduzem 96,3 milhões de euros: 56,8% desse valor financiaram as despesas dos museus e 28,9% destinaram-se aos monumentos, centros históricos e sítios protegidos.

As artes do espetáculo tiveram uma verba semelhante (93,9 milhões de euros, mais 20,3 milhões em relação a 2014). A despesa desta categoria focou-se na construção e manutenção de recintos de espetáculos e no financiamento dos próprios espetáculos de música e “multidisciplinares”.

Museus registaram mais 1,9 milhões de visitantes

As entradas nos museus em Portugal estão a subir. O aumento de 1,9 milhões de visitantes a mais em 2015, em relação ao ano anterior, traduz-se num total de 13,7 milhões de visitantes, um crescimento de 16,3%.

Dos 669 museus em atividade, o INE refere que apenas conta com 388 para fins estatísticos. Em termos de categorias, os mais visitados são os de História, seguidos pelos de Arte e pelos museus especializados. As visitas a exposições temporárias representam mais de metade das entradas (55,5%). 37,5% das visitas foram feitas de forma gratuita, uma tendência que deverá aumentar no futuro uma vez que no OE2017 está prevista a reposição da gratuitidade dos museus nos domingos e feriados até às 14h.

“Do total de visitantes, 38,4% eram estrangeiros (5,2 milhões de pessoas) e 12,5% dos visitantes estavam inseridos em grupos escolares”, explica o destaque das estatísticas sobre Cultura divulgadas esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística.

Há mais espetadores nos espetáculos ao vivo, mas receita desce

Apesar de o número de espetadores dos espetáculo ao vivo estar a aumentar, essa evolução não se traduz nas receitas. Em sentido contrário, o número de sessões (-4%), de bilhetes vendidos (-10,2%) e de receitas (-15,4%) diminuiu em 2015, face a 2014. O número de espetadores aumentou 16,4%.

Um dado que pode explicar esta evolução aparentemente contraditória é a diminuição do preço médio dos bilhetes (-6%) que passou de 16,4 euros, em 2014, para 15,4 euros, em 2015. Além disso, do total de 12,5 milhões de espetadores em 2015, apenas 3,9 milhões pagaram bilhete, o que se traduziu em 59,6 milhões de euros de receitas.

INE
Fonte: INEINE

A maior parte das receitas teve origem nos espetáculos de música (44 milhões de euros), os quais também registaram mais espetadores (6,1 milhões). O preço médio de um bilhete para um espetáculo de música foi de 22,4 euros em 2015. Apesar da importância da música no setor, o maior número de sessões foi registado pelos espetáculos de teatro (41,3% do total).

Editado por Mónica Silvares

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