Portugal em 2017: pouco crescimento e muita dívida

  • Margarida Peixoto
  • 14 Outubro 2016

A economia portuguesa vai continuar a crescer pouco em 2017. O défice vai cair, mas o alívio que traz à dívida continuará a ser curto.

Como é que o Governo vê Portugal no próximo ano? Vê um país que cresce pouco — quase tão pouco como em 2016 — e que reduz apenas ligeiramente o fardo da dívida que carrega. O cenário macroeconómico em que o ministro das Finanças, Mário Centeno, baseou a sua proposta de Orçamento do Estado para 2017 aponta para um crescimento económico de 1,5%, um défice de 1,6% e uma dívida pública que continuará acima dos 128% do PIB.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

Uma vez mais, os cidadãos têm de ajustar em baixa as suas perspetivas para 2017, face ao quadro que lhes tinha sido projetado em abril. O PIB já não vai acelerar para 1,8%, ficando apenas 0,2 pontos percentuais acima do valor que o Governo estima para 2016. O défice vai continuar a cair (a nova meta é de 1,6% do PIB e não de 1,8% como o ECO chegou a noticiar, com base em informações preliminares) e a dívida deverá baixar. Contudo, o fardo dos juros vai pesar exatamente o mesmo na riqueza produzida: 4,3% do PIB.

A boa notícia está no mercado de trabalho: a taxa de desemprego registada este ano deverá surpreender pela positiva (a previsão é de 11,2%) e o Governo espera que continue a descer — antecipa 10,3% para 2017, tal como o ECO tinha adiantado em primeira mão.

A sustentar este crescimento está um contributo maior da procura interna (que é responsável por 1,3 pontos percentuais) do que o da procura externa líquida (que se fica pelos 0,2 pontos percentuais). Estes contributos refletem um consumo privado que deverá abrandar face ao ritmo registado em 2016, e um consumo público em queda acentuada: o Executivo espera uma contração de 1,2%. Para compensar, o investimento deverá crescer 3,1% e as exportações deverão acelerar para 4,2%, um crescimento acima do das importações (3,6%).

Fonte: OE2017 (Valores em percentagem)
Fonte: OE/2017 (Valores em percentagem)

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Portugal em 2017: pouco crescimento e muita dívida

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião