Nova onda de aquisições entre fundos deve aumentar ativos sob gestão em 12%
Oliver Wyman analisou a "corrida à escala nos mercados privados" e concluiu que o M&A entre as gestoras cresceu 45% em dois anos. Negócio é atrativo até para a Revolut, que entra hoje nesta área.
Há uma onda de fusões e aquisições a caminho que vai aumentar os ativos sob gestão nos mercados privados em cerca de 12% por ano nos próximos cinco anos. O valor gerido por sociedades de private equity, crédito privado, imobiliário, infraestruturas e dívida privada deverá até registar uma subida maior do que a dos ativos em bolsa, cuja taxa de crescimento está estimada em apenas 8%.
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A previsão é de um estudo da Oliver Wyman, enviado ao ECO, no qual se conclui que as gestoras de ativos estão a acelerar as suas estratégias de M&A (Mergers & Acquisitions) para ganhar escala, reforçar capacidades e consolidar a uma posição competitiva na (proeminente) área dos mercados privados, onde se inserem os investimentos em participações, dívida, imóveis e infraestruturas que estão fora da bolsa.
“Enquanto as classes de ativos tradicionais continuam sob pressão, devido à redução das comissões e a um crescimento mais lento, os mercados privados ganharam um peso estratégico crescente nas grandes gestoras, tornando-se uma das áreas mais dinâmicas para operações de fusões e aquisições”, lê-se no relatório “The race for scale in private markets” (“A corrida à escala nos mercados privados”).
O movimento intensificou-se no pós-pandemia. O valor das operações de M&A nos mercados privados passou de 13 mil milhões para 27,2 mil milhões de dólares entre 2023 e 2025, o que corresponde a um aumento de 45% em apenas dois anos.
“À medida que a angariação de fundos se concentra e os investidores exigem soluções cada vez mais abrangentes e sofisticadas, assistiremos à concentração das vantagens competitivas num número cada vez mais reduzido de plataformas capazes de combinar escala, especialização e diversificação de capacidades”, afirmou Martín Sánchez, sócio de Private Capital na Oliver Wyman.
Quais as principais motivações? Essencialmente, escala. É a dimensão que lhes permite captar mais capital, bem como ter uma rede mais extensa para atrair e reter talento. Segue-se a diversificação de portefólio, para acompanhar os clientes nas diferentes fases do seu ciclo de investimento, e a maior capacidade de avaliar e gerir investimentos, o que consideram fundamental à medida que “as condições de crédito se tornam mais restritivas em determinados segmentos do mercado”.
Os mercados privados entraram numa nova fase de consolidação, em que a escala deixou de ser uma vantagem competitiva para passar a ser uma condição indispensável ao crescimento.
No entanto, os consultores concluíram que crescer por compras não garante per se os melhores resultados. Só metade das transações no setor da gestão de ativos, analisadas pela Oliver Wyman, conseguiu melhorar de forma mensurável o rácio custo-rendimento. Geralmente, os processos de consolidação que foram bem-sucedidos tiveram as seguintes cinco alavancas:
- Crescimento das receitas nas sociedades de gestão de ativos, sobretudo quando a gestora adquirente acrescenta capacidade de distribuição ou de coinvestimento
- Expansão das margens, através da eliminação de infraestruturas duplicadas e da exploração de economias de escala
- Expansão dos múltiplos, mediante a melhoria da valorização da plataforma, através da diversificação das estratégias e do reforço da sua resiliência
- Maior participação nos lucros, através do acesso às comissões de desempenho dos fundos adquiridos
- Melhores resultados para os investidores, sobretudo em operações lideradas por seguradoras ou fundos de pensões que procuram acesso preferencial a oportunidades
Apesar de todos os negócios, a Oliver Wyman considera que o mercado ainda está “altamente fragmentado”, porque a grande maioria dos gestores de fundos private equity (97%), de crédito privado (87%) e de imobiliário (95%) gere menos de cinco mil milhões de dólares (cerca de 4,3 mil milhões de euros) em ativos.
Independentemente da fragmentação, as maiores gestoras, com mais de 10 mil milhões em ativos, passaram de representar 42% do capital global angariado entre 2000 e 2005 para 54% nos últimos cinco anos. Ou seja, os ‘reis’ – onde se incluem empresas como Blackstone, KKR ou Brookfield – concentram mais de metade do capital global angariado. Sem apresentar nomes, a consultora indica que as 20 maiores gestoras multiplicaram por seis o número médio de produtos ativos desde 2005, alargando a sua oferta além dos fundos emblemáticos, de forma a incluir private equity ou dívida privada, por exemplo.
Revolut entra nos mercados privados em Portugal
O banco digital Revolut é o mais recente player nesta área dos mercados privados. A empresa britânica vai, a partir desta sexta-feira, disponibilizar o acesso a fundos de mercados privados em 27 países, entre os quais Portugal.
O objetivo é, a partir da aplicação do neobanco, criar novas oportunidades de investimento (institucional) aos mais de 2,5 milhões de clientes que tem em Portugal, entre capital privado, crédito e infraestruturas, através de fundos geridos por quatro das principais sociedades gestoras do mundo: a Apollo, a Ares, a Hamilton Lane e a PartnersGroup. Os fundos na app da Revolut estão estruturados ao abrigo do enquadramento europeu ELTIF 2.0 (European Long-Term Investment Fund).
Em entrevista ao ECO a partir de Londres, a general manager de Produtos Premium da Revolut, Tara Massoudi, havia dito que a Revolut estava a preparar o lançamento do novo negócio de private banking para conquistar clientes com fortunas e gerir patrimónios, afastando das suas prioridades a entrada em bolsa.
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