Banco no Brasil rende 70 milhões à CGD mas deixa uma perda de 11 milhões
Negócio já tinha sido autorizado em Portugal mas o valor era desconhecido e implica o reconhecimento de uma menos-valia de 11 milhões de euros.
A venda do banco da Caixa Geral de Depósitos no Brasil deverá ser feita por perto de 70 milhões de euros, mas contabilisticamente a operação vai representar uma menos-valia de 11 milhões, revelou esta tarde o banco público, em comunicado divulgado esta sexta-feira através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
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“O impacto contabilístico estimado incorpora a reclassificação para resultados do exercício de uma reserva cambial negativa acumulada de 80 milhões de euros. Assim, caso se venha a confirmar o preço global, a transação deverá levar ao reconhecimento de uma menos valia de 11 milhões de euros, pela diferença entre este valor e o preço global da transação”, esclarece a CGD.
Na prática, com a transação fechada, o banco tem de refletir nas contas esses 80 milhões de reserva cambial negativa acumulada, mas também o encaixe financeiro com a venda, por 69,78 milhões de euros. A diferença entre os valores é essa menos-valia a reconhecer nas contas.
Ainda sobre o preço de alienação, o banco público ressalva que “estes valores estão sujeitos a ajustamentos decorrentes da variação patrimonial do BCG-Brasil desde a data de referência estabelecida nos acordos de venda direta até ao closing da operação”.
Já em termos de capital, o efeito será positivo. “O impacto nos capitais próprios contabilísticos da Caixa será positivo e representará um aumento de aproximadamente 29 pontos base no rácio CET 1”, segundo o comunicado.
Na apresentação dos resultados semestrais da Caixa, na última quinta-feira, Paulo Macedo escusou-se a revelar o valor da operação e disse que “foi dado mais um passo muito importante, serão necessários outros passos” para a venda estar concluída, nomeadamente os processos de autorização no Brasil.
Referindo-se a um processo que já tinha tido várias tentativas fracassadas de venda, ao longo dos anos, Macedo referiu-se ao relançamento da venda como um sinal de perseverança do banco público. “Nunca estamos disponíveis para vender um ativo a qualquer preço”, afirmou, dizendo que, se assim não fosse, a CGD já o poderia ter feito no passado.
“Temos uma estratégia e somos perseverantes. Portanto, pode demorar um ano, dois anos, três anos. Se acharmos que a conjuntura não se altera, que os fatores estruturais também não se alteram, seguimos [com um processo]”, afirmou.
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