BCE confirma expectativas e mantém taxas de juro inalteradas. Taxa de depósitos permanece nos 2,25%
A decisão desta quinta-feira do Conselho do Banco Central Europeu confirmou as fortes convicções dos economistas e analistas. O ciclo de agravamento dos juros faz um intervalo, mas não está encerrado.
O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira manter as taxas de juro diretoras inalteradas, confirmando aquilo que já era amplamente esperado pelos mercados financeiros.
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Desta forma, a taxa de facilidade permanente de depósito permanece nos 2,25%, a taxa das operações principais de refinanciamento situa-se em 2,40% e a taxa de facilidade permanente de cedência de liquidez fica nos 2,65%.
A decisão, tomada pelo Conselho do BCE, surge num contexto de forte incerteza geopolítica, associada ao conflito no Médio Oriente e ao seu impacto nos preços da energia.
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No comunicado divulgado esta quinta-feira, a instituição liderada por Christine Lagarde reconhece que “as perspetivas para os preços da energia, embora altamente voláteis, se situam atualmente perto do cenário de base das projeções de junho dos especialistas do Eurosistema e bem acima dos níveis registados antes do conflito no Médio Oriente”.
O BCE não esconde que o cenário continua longe de estar estabilizado. “A incerteza permanece elevada e o impacto inflacionista total do choque energético ainda não se fez sentir na totalidade”, pode ler-se no comunicado. Por essa razão, a instituição liderada por Christine Lagarde diz estar “a monitorizar de perto a intensidade e a duração do choque, bem como os seus efeitos indiretos e de segunda ordem”.
Esta vigilância reforçada explica, em boa medida, a opção por manter uma postura de espera nesta reunião, deixando a porta aberta a novos apertos monetários — justamente por conta do escalar da guerra na região do Golfo –, não deixando de reiterar o seu compromisso com a meta de médio prazo para a inflação, sublinhando que está “empenhado em definir a política monetária de forma a garantir que a inflação estabilize na meta de 2% a médio prazo”.
Sem caminho pré-definido para os juros
Um dos aspetos mais relevantes do comunicado é a forma como o BCE aborda o futuro das taxas de juro, com a instituição a garantir que, com a decisão de hoje, “permanece bem posicionada para navegar na incerteza causada pelo conflito”, mas evita qualquer compromisso sobre os próximos passos.
Segundo o comunicado, o Conselho do BCE volta a reiterar que “seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião para determinar a postura de política monetária adequada”. Isto significa que cada decisão futura sobre juros dependerá da evolução dos indicadores económicos e financeiros, e não de um calendário traçado antecipadamente. O próprio BCE reforça este ponto ao afirmar, de forma direta, que “não está a assumir um compromisso prévio com uma trajetória específica de taxas”.
As decisões sobre juros continuarão assim a basear-se na avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos que as rodeiam, tendo em conta os dados económicos e financeiros que forem sendo divulgados, assim como a dinâmica da inflação subjacente e a força da transmissão da política monetária ao crédito e à economia real.
Quanto aos programas de compra de ativos, o BCE confirma que o processo de redução das carteiras se mantém em curso. De acordo com o comunicado, “as carteiras do APP e do PEPP estão a diminuir a um ritmo medido e previsível”, uma vez que “o Eurosistema deixou de reinvestir os pagamentos de capital provenientes de títulos que atingem a maturidade”.
Esta normalização gradual do balanço do banco central insere-se na estratégia mais ampla de retirada dos estímulos extraordinários introduzidos durante a pandemia e a crise energética que se seguiu à invasão da Ucrânia.
O BCE reafirma também a disponibilidade de todos os instrumentos ao seu alcance para garantir a estabilidade de preços. No comunicado, a instituição declara estar “pronta para ajustar todos os seus instrumentos dentro do seu mandato para garantir que a inflação estabilize na meta de 2% a médio prazo e para preservar o bom funcionamento da transmissão da política monetária”.
Neste contexto, é destacado o papel do Instrumento de Proteção da Transmissão (TPI, na sigla inglesa), criado para conter movimentos desordenados nos mercados de dívida da Zona Euro. Segundo o BCE, este mecanismo “está disponível para contrariar dinâmicas de mercado injustificadas e desordenadas que representem uma ameaça séria à transmissão da política monetária em todos os países da área do euro”, permitindo ao Conselho do Governo “cumprir de forma mais eficaz o seu mandato de estabilidade de preços”.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, deverá detalhar os fundamentos desta decisão numa conferência de imprensa agendada para as 14h45 (hora de Lisboa), na qual são esperados esclarecimentos adicionais sobre a evolução das projeções económicas e sobre o rumo da política monetária para os próximos meses.
O euro segue atualmente a desvalorizar 0,24% para 1,138 dólares.
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