Exames. Fernando Alexandre admite 680 casos de erros na digitalização
"Tivemos um problema grave. É verdade, mas estamos a corrigi-lo, disse o ministro sobre o caos nos exames. "Todos os alunos" vão saber as notas "com uma semana de diferença face ano passado", conclui.
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, revelou que foram reportados até terça-feira pelo menos 680 casos de erros na digitalização de exames. A falha fez com que os estudantes tivessem acesso a provas sem notas, ou com notas erradas ou com respostas que não eram as suas. Apesar disso, o titular da pasta disse, em entrevista à RTP esta quarta-feira, que esses erros tem sido rapidamente solucionados.
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“Os erros que foram identificados resultaram em grande medida da digitalização ter sido descentralizada. Foi feita em cada escola. Não foi feita centralizada com os equipamentos modernos que foram adquiridos para esse efeito e que estão na Imprensa Nacional Casa da Moeda”, argumentou o ministro.
“Em todos os processos de avaliação há erros e uma das vantagens deste sistema digital é que os erros são transparentes e não é possível escondê-los, existem, são identificados e são com rapidez como é por vezes impossível em papel”, destacou ainda. Fernando Alexandre apontou que “houve uma experiência. Fez-se a avaliação do piloto [com o exame de Filosofia] e conclui-se que havia condições para realizar a avaliação digital”, tendo o processo sido realizado com o EduQA e o Júri Nacional de Exames.
Avaliando a primeira fase, defende que “o processo foi bem desenhado”, não derivando daí os problemas. Os recursos humanos afetos a esse processo foram definidos pelo EduQA, afirmando que esse não foi um dos fatores. O principal problema foi no software, por exemplo, na forma como a plataforma interagia com o classificador.
Em relação às falhas apontadas pelo ex-presidente do Júri Nacional de Exames, declara que “a informação que existe e que foi entregue ao Secretário de Estado é que o piloto decorreu sem problemas de maior”. E diz ser “muito estranho que ele tenha saído sem escrever isso”, contrapôs.
“Nós assumimos o risco. Nós fizemos as provas ModA em digital. Fizemos os exames de nono ano em digital. Avançámos para esta mudança em digital. Sempre com imensos riscos. Obviamente seria uma leviandade ter feito esta mudança sem ter uma avaliação. Houve uma avaliação como é evidente”, defendeu.
“Não desvalorizando a instabilidade que isto traz às famílias e aos alunos, nós, no fundo, vamos ter todos os alunos a saberem as classificações com uma semana de diferença em relação ao ano passado. É disso que estamos a falar. Tirando o problema de stress que isso pode ter gerado”, considerou.
O responsável notou ainda que “estava garantido que os alunos teriam a nota correspondente ao trabalho que fizeram no seu percurso escolar, porque os exames estavam guardados em segurança nas instalações da Imprensa nacional Casa da Moeda”. O ministro destaca que já há mecanismos de proteção dos alunos no acesso ao ensino superior, em caso de erros, desvalorizando a ideia de existir desigualdade nas candidaturas.
No caso de na segunda fase de exames ocorrerem os mesmos problemas: “Diria que este processo acabou em Portugal. Voltamos ao papel. Seria um falhanço muito grande para o sistema educativo”. O responsável nota que já está em curso um relatório sobre o que aconteceu.
Fernando Alexandre lembra que o Ministério da Educação “é o maior empregador nacional”. “Compara cinco vezes com os segundos maiores, que são a rede Pingo Doce e a rede Continente. São mais de cinco mil escolas. É um processo que tem uma dimensão gigantesca e super complexa. Nós temos risco todos os dias, porque afetamos a vida de milhares de pessoas.”
“Quando cheguei a este Ministério, era uma confusão. As pessoas já se esqueceram. Fizemos processos de digitalização. Fizemos imensas mudanças. Ao fim de mais de dois anos, tivemos um problema grave. É verdade, mas estamos a corrigi-lo”. Se não fosse possível corrigi-lo, obviamente eu já tinha apresentado a minha demissão”, defende-se.
O responsável nota que as reformas no Ministério da Educação, de forma a trazer mais eficiência à entidade, resultaram numa diminuição em cerca de 50% dos profissionais afetos, diminuindo de cerca de dois mil para mil, com parte dos profissionais a reformarem-se ou transitarem para escolas, entre outros casos. Fernando Alexandre nota que a OCDE “aceitou monitorizar a reforma em curso”.
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