Ventura desafia Montenegro a apresentar uma moção de confiança ao Governo

O líder do Chega considera que o Governo está em “decomposição acelerada” e questionou Montenegro se ainda reúne condições políticas para continuar em funções.

O presidente do Chega, André Ventura, desafiou esta quinta-feira o primeiro-ministro a apresentar uma moção de confiança ao Parlamento, considerando que o Executivo de Luís Montenegro está em “decomposição acelerada” e questionando se o Governo ainda reúne condições políticas para continuar em funções.

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Na intervenção no debate sobre o Estado da Nação, Ventura acusou o chefe do Governo de ignorar os principais problemas do país e afirmou que o discurso de Luís Montenegro “poderia ter sido o de 2024, 2025 ou até, francamente, partilhado com o seu antecessor, António Costa”. “Muitos falam de reformas, mas poucos fazem-nas tão mal como este Governo”, atirou. “Conseguiu discursar sem dizer uma palavra sobre os assuntos que estão a prejudicar o país”, atirou.

O líder do Chega centrou grande parte das críticas nas deslocações de Montenegro aos Estados Unidos para acompanhar o Mundial de Futebol, argumentando que o primeiro-ministro se ausentou do país em momentos marcados por várias crises internas. “Poucos primeiros-ministros se deslocaram três vezes para o Mundial enquanto o país ardia e colocava o país em alerta”, afirmou.

Ventura apontou ainda os problemas registados na correção dos exames nacionais, a situação na Administração Interna e a falta de médicos de família. “Tinha os exames, os professores e os alunos em caos e viajou para os Estados Unidos. Tinha uma crise brutal e gigantesca na Administração Interna e viajou para os Estados Unidos”, criticou, acrescentando que Portugal precisa de “um primeiro-ministro para trabalhar por Portugal e não para ir a jogos da seleção”.

Sobre os exames nacionais, o presidente do Chega acusou o Governo de tentar responsabilizar os docentes pelos atrasos e classificou a situação como “uma vergonha nacional”.

André Ventura dirigiu também críticas ao ministro da Administração Interna, acusando-o de evitar responder a perguntas, intimidar deputados da oposição e ameaçar jornalistas. “A pergunta é: mantém ou não a confiança no seu ministro da Administração Interna?”, questionou, dirigindo-se diretamente a Luís Montenegro.

Na área da saúde, o líder do Chega considerou que as reformas promovidas pelo Executivo foram “péssimas”, sublinhando que, em maio deste ano, existiam 1,7 milhões de utentes sem médico de família, número que, segundo disse, aumentou durante a atual governação.
Perante este cenário, Ventura defendeu que o primeiro-ministro deve clarificar se continua a dispor do apoio político necessário para governar. “Isto é um Governo em decomposição acelerada e deve perguntar ao Parlamento se ainda mantém confiança no seu Governo”, afirmou.

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