FNS2026. Setor segurador debateu modelo de financiamento do Fundo de Catástrofes

  • Carolina Neves Carvalho
  • 16 Julho 2026

O setor defendeu a criação de um Fundo de Catástrofes baseado numa parceria entre o Estado e os privados, considerando que os custos dos eventos extremos devem ser repartidos. Assista aqui ao painel.

O comboio de tempestades que atingiu Portugal, e fez 210 mil sinistros e 1,3 mil milhões de euros em indemnizações, dominou o painel “O Futuro do Fundo de Catástrofes em Portugal: Modelos de financiamento público-privado e o papel do resseguro estatal”, na 5ª edição do Fórum Nacional de Seguros, na Alfândega do Porto.

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A criação de um Fundo de Catástrofes esteve na ordem do dia durante painel moderado por António Larguesa, editor do ECO, que reúniu André Tavares Lourenço, General Counsel na Zurich, Nuno Rodrigues, Diretor de Riscos Patrimoniais e Engenharias na MDS Portugal, e Ana Teixeira, CEO na Mudey.

Ana Teixeira, CEO na Mudey, André Tavares Lourenço, General Counsel na Zurich, e Nuno Rodrigues, Diretor de Riscos Patrimoniais e Engenharias na MDS Portugal, debaterem os avanços para a criação de um Fundo de Catástrofes nacional.

Nuno Rodrigues saudou o avanço do Governo, mas deixou um alerta sobre o financiamento. “Sou defensor que este seja um esquema de PPP, ou seja, um fundo público-privado, com o Governo a ser sempre a última linha em absorção do evento mais severo“, defende.

Já André Tavares Lourenço quis desfazer a ideia de que o fundo existe para proteger as seguradoras. “É o setor segurador a dizer: nós queremos estar presentes e queremos que, no momento de assumir o custo, ele seja repartido entre os cidadãos, o setor segurador, o setor ressegurador e, em última instância, o Estado“, explica. Para o responsável, a estrutura deste fundo deve também servir para coordenar e educar a população, respondendo ao gap de proteção e à falta de literacia de risco no país. Quanto à governação, defende a supervisão pelo regulador de seguros, em articulação com o Governo.

Por sua vez, Ana Teixeira sublinhou a oportunidade criada por, “ao que tudo indica, coberturas base [do seguro multirriscos] que serão obrigatórias”. Sublinha que “é uma oportunidade para nós, enquanto setor, reduzirmos a desadequação do seguro e permitirmos que essa obrigatoriedade se transforme em prevenção, compreensão e confiança“. Para Teixeira, o fundo deve atuar depois dos eventos, mas o setor tem de agir também antes, através da mediação, de mais partilha de dados e de maior colaboração entre os intervenientes do mercado.

Veja aqui na íntegra o painel que reúne Ana Teixeira, André Tavares Lourenço, e Nuno Rodrigues.

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