Autarcas exigem compensações pela Barragem de Girabolhos. Ministra acredita na conclusão em 2034
Lançamento do concurso público aconteceu esta quarta-feira. Maria da Graça Carvalho desafiou os autarcas (que exigem compensações) a apoiar a barragem, para ser possível inaugurar em 2034.
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Quase duas décadas após ter a construção e exploração adjudicada à Endesa e 10 anos após o Governo da “geringonça” ter cancelado o projeto, a Barragem de Girabolhos volta a sair do plano teórico, com o lançamento de novo concurso público efetuado nesta quarta-feira. A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, acredita ser possível ter a barragem construída em 2034.
“Se tudo correr bem e houver apoio dos autarcas locais, que traduzem apoio da população, vamos conseguir fazer até 2034, que é o fim do próximo quadro comunitário de apoio. O próximo passo é termos concorrentes a este concurso que também estejam disponível para compensação ao território”
A governante apostou no otimismo. No anúncio feito esta quarta-feira em Diário da República, e tal como secundado por José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), na cerimónia de lançamento da barragem, decorrida em Gouveia, a infraestrutura vai estar operacional em 2038, sendo construída sob concessão de 65 anos. As propostas terão de ser entregues até dia 9 de abril de 2027.
A cerimónia de apresentação pública do projeto decorreu em Gouveia, município da Serra da Estrela onde a albufeira da barragem mais conquistará terreno.
Durante a apresentação do projeto, os autarcas beirões presentes deixaram vários recados ao Governo, designadamente assegurar água para consumo humano na região e trazer benefícios aos seus territórios. Entre as exigências estão a construção da interligação de Girabolhos a outros empreendimentos locais, como a Barragem de Fagilde, e acautelar o contributo financeiro para os municípios por via do IMI das barragens.
Enquanto o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) diz que “minimizar as cheias no Baixo Mondego” é o principal objetivo da barragem – além da produção de eletricidade, fornecimento de água na região e ainda aumento da segurança na captação de água a Tábua, Carregal do Sal e Mortágua, adiciona –, o presidente da Câmara de Gouveia, Jorge Ferreira, prefere dar destaque aos benefícios regionais.
“Se permitir mitigar as cheias do Baixo Mondego, tanto melhor”, afirmou o autarca social-democrata nesta cerimónia decorrida nos Paços do Concelho da sua autarquia, considerando serem mais relevantes os benefícios regionais como a criação de emprego e a melhoria de acessibilidades. Entre as várias reivindicações, Fornos de Algodres apelou ao apoio do Estado na construção de um centro de ciência viva do Mondego.
A segurança tanto do abastecimento de água, como de energia, como prevenção e gestão de cheias são as três componentes importantíssimas deste projeto.
Gouveia é o município onde a albufeira ocupará maior faixa de território. Nelas, Mangualde, Seia e Fornos de Algodres terão igualmente uma parte submergida por esta “infraestrutura há muito reivindicada pela população e autarcas”, como destacou o autarca de Gouveia.
Com a ministra do Ambiente e Energia presente em nome do Governo, os autarcas da região fizeram questão de marcar presença. Manteigas e Seia foram outros dos municípios que se juntaram à cerimónia nos Paços do Concelho de Gouveia.
“A segurança tanto do abastecimento de água, como de energia, como prevenção e gestão de cheias são as três componentes importantíssimas deste projeto”, destacou Maria da Graça Carvalho.
Tal como previsto no projeto de há duas décadas, quando a barragem foi apresentada no Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroelétrico (PNBEPH), esta infraestrutura seguirá o modelo reversível, com bombagem, em que a água turbinada na produção de eletricidade é retida num contra-embalse a jusante e daí bombeado de novo para a albufeira da Barragem de Girabolhos.
A propósito deste caráter reversível, Jean Barroca, secretário de Estado da Energia, salientou que a nova barragem do Rio Mondego “é uma bateria ao serviço do país”.
José Pimenta Machado, presidente da APA, responsável pela apresentação do projeto, destacou que o Mondego, maior rio português, se transforma no Inverno, passando de 1 metro por segundo no Verão para caudais entre 3.000 e 4.000 metros por segundo, o que torna o controlo do fluxo um desafio.
“Para controlar o Mondego, temos a barragem da Aguieira, mas só controla 46%” do caudal, notou o presidente da APA. Pelo meio há o Rio Ceira, um curso em que, no que toca ao controlo de caudal, “não há nada a fazer”.
A propósito do colapso do dique do Mondego no dia 11 de fevereiro às 16h45, Pimenta Machado repetiu o que já tinha dito em entrevista ao ECO/Local Online numa entrevista em março:
"Se tivéssemos um bocadinho mais de margem, isto não tinha acontecido. Se tivéssemos Girabolhos, não tenho dúvida nenhuma que colapso não teria acontecido.”
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