S&P mantém rating A da Fidelidade, mas prevê evolução positiva
A S&P (Standard & Poors) melhorou a perspetiva da Fidelidade para positiva e mantém rating 'A'. Subida do rating pode acontecer em dois anos. Fidelidade Re também beneficia.
A S&P (Standard & Poors) Global Ratings reviu de estável para positiva a perspetiva (outlook) da Fidelidade, mantendo o rating ‘A’ para a seguradora portuguesa e para a sua resseguradora Fidelidade Re. A agência considera que o grupo deverá reforçar a rentabilidade e a capitalização nos próximos anos, abrindo a porta a uma eventual subida do rating até 2028.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
A decisão surge depois de a S&P confirmar também o rating BBB+ da dívida subordinada Tier 2 emitida pela seguradora e atribuir pela primeira vez uma classificação BBB às novas obrigações Restricted Tier 1 (RT1).
Segundo a agência de notação financeira, a melhoria da perspetiva resulta da expectativa de que a Fidelidade continue a reforçar os seus resultados entre 2026 e 2028, beneficiando da emissão, em fevereiro deste ano, de 500 milhões de euros em dívida híbrida Tier 2, com maturidade de 20 anos, e da venda da participação de 40% na Luz Saúde ao grupo Macquarie.
Apesar de ter distribuído um dividendo extraordinário de 221 milhões de euros, a seguradora reteve parte significativa da mais-valia obtida com a operação para reforçar o balanço. A S&P considera que esta decisão aumenta a flexibilidade financeira do grupo, numa fase em que a Fidelidade procura fortalecer o perfil financeiro tendo em vista uma eventual entrada em bolsa em 2027.
Solvência deverá manter-se perto de 190%
A agência estima que o rácio de solvência Solvência II permaneça em torno dos 190%, no limite superior do intervalo interno definido pela própria seguradora (160%-190%). Ao mesmo tempo, prevê que a adequação de capital evolua até atingir, de forma consistente, o nível de confiança de 99,99% utilizado no modelo interno da S&P até ao final de 2028, condição considerada essencial para uma futura melhoria do rating.
A S&P prevê um crescimento médio anual dos prémios de cerca de 5% durante os próximos três anos, mantendo um rácio combinado próximo dos 93%.
Nesse cenário, o lucro líquido anual antes de interesses minoritários deverá ultrapassar os 400 milhões de euros até 2028, permitindo alcançar uma rendibilidade dos capitais próprios (ROE) entre 12% e 13%, mesmo considerando uma política de distribuição de dividendos correspondente a cerca de metade dos resultados.
Tempestades testaram resiliência
Apesar dos impactos provocados por fenómenos naturais, a agência destaca a capacidade de resistência demonstrada pela Fidelidade.
Em 2025, o lucro líquido aumentou 16%, para 201 milhões de euros, embora o rácio combinado tenha subido para 96%, penalizado pela revisão das reservas de Acidentes de Trabalho e pelos custos associados à tempestade Martinho e ao acidente do Elevador da Glória.
Já no primeiro trimestre de 2026, marcado pela tempestade Kristin — descrita como a mais severa a atingir Portugal em cem anos —, o lucro líquido recuou apenas 10%, para 42 milhões de euros, graças ao elevado nível de proteção proporcionado pelo programa de resseguro.
Segundo a S&P, 91% dos custos associados à tempestade foram suportados pelos resseguradores, limitando a retenção líquida da Fidelidade a apenas 32 milhões de euros.
Diversificação internacional continua a ser uma vantagem
Outro dos fatores que suporta o rating é a diversificação geográfica e de negócio do grupo.
A Fidelidade mantém uma quota de mercado de cerca de 30% nos seguros Não Vida e 27% nos seguros Vida em Portugal. Paralelamente, aproximadamente 30% dos prémios têm origem nas operações internacionais, que incluem mercados africanos e asiáticos, o Chile, o grupo peruano La Positiva (com atividade também na Bolívia e Paraguai) e a Prosperity Company, sediada no Liechtenstein, mas com atividade sobretudo na Suíça e Alemanha.
A S&P voltou igualmente a sublinhar que continua a considerar a Fidelidade independente da sua acionista maioritária, a chinesa Fosun International, mantendo o chamado rating delinking.
A agência entende que a seguradora beneficia de uma estrutura de governo autónoma, administração independente, supervisão apertada da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) e de um acordo acionista que obriga à aprovação conjunta da Fosun e da Caixa Geral de Depósitos para operações relevantes, incluindo distribuições de capital.
Subida do rating na calha
A perspetiva positiva significa que a S&P poderá elevar a classificação da Fidelidade de A para A+ nos próximos 24 meses caso o grupo consiga: reforçar a capitalização para níveis compatíveis com o patamar de confiança de 99,99% do modelo da S&P; manter uma rentabilidade sólida e alcançar uma rendibilidade dos capitais próprios superior a 10%.
Em sentido contrário, uma redução dos rácios de solvência, uma política de dividendos excessivamente agressiva, um agravamento da sinistralidade ou alterações na estrutura de governo que reduzam a autonomia face à Fosun poderão levar a agência a retirar a perspetiva positiva e regressar a um outlook estável.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
S&P mantém rating A da Fidelidade, mas prevê evolução positiva
{{ noCommentsLabel }}