Mondego ganha mais uma barragem. Governo apresenta projeto Girabolhos esta quarta-feira

Ministra do Ambiente e Energia desloca-se a Gouveia para apresentar projeto do aproveitamento hidroelétrico na bacia do Mondego. Ausência da barragem foi apontada como uma das razões para cheias.

Imagem do Rio Mondego, em Coimbra, 13 de fevereiro de 2026. A Barragem de Girabolhos teria evitado que as inundações atingissem uma magnitude assim, assegura o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente. MIGUEL A. LOPES/LUSAMIGUEL A. LOPES/LUSA

O Governo vai apresentar, já nesta quarta-feira, o projeto de construção da Barragem hidroelétrica de Girabolhos, na bacia do Mondego, e anunciar o lançamento do concurso público de construção. Para tal, a ministra do Ambiente e da Energia irá deslocar-se a Gouveia.

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A confirmação do Governo de que Girabolhos iria avançar data de fevereiro, altura em que a ministra Maria da Graça Carvalho apontava a infraestrutura como “estratégica para reforçar a segurança hídrica do país, proteger as populações e aumentar a capacidade nacional de produção de energia renovável”. O concurso, indicava então o comunicado do ministério, deveria ser lançado ainda no primeiro trimestre.

Para avançar com o concurso, o Governo mandatou a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entidade que fica responsável pela articulação com os municípios envolvidos e com as entidades ligadas ao abastecimento de água e energia, à proteção civil e às áreas da economia, agricultura, ordenamento do território, conservação da natureza e biodiversidade.

Apesar de fazer parte do programa Água que Une, Girabolhos voltou a iniciativas do Governo em abril, com a inscrição no pilar “proteger” do PTRR, instrumento criado após os danos provocados pelo “comboio de tempestades”. Na apresentação do documento, Luís Montenegro apontou a luz verde ao avanço de quatro novas barragens, Ocreza-Alvito, Girabolhos, Alportel e Foupana, além da construção de 400 charcas e pequenas albufeiras.

Antes, em março, numa entrevista ao ECO/Local Online, o presidente da APA, José Pimenta Machado, assegurara:

"Ter mais uma barragem é um instrumento para conter as cheias. Se eu tivesse essa barragem, as cheias de 2019 e 2026 não aconteciam. No açude [do Mondego], os caudais nunca podem ultrapassar os 2.000, se ultrapassar, os diques podem rebentar. Com esta barragem, como ela estava concebida, os caudais nunca ultrapassariam os 1.800 e nunca teria havido o colapso do dique”

Na mesma linha, a ministra da tutela dizia, em fevereiro, que “o Empreendimento de Girabolhos é uma infraestrutura estratégica para reforçar a segurança hídrica do país, proteger as populações do vale do Mondego e aumentar a capacidade nacional de produção de energia renovável”.

Controlar e mitigar efeitos das cheias como as que atingiram de forma particularmente forte a bacia do Mondego – levando mesmo ao rebentamento de diques e derrocada de parte da plataforma da autoestrada A1 – e valorizar o interior são outras notas do Governo a favor do empreendimento.

O Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos de Girabolhos foi apresentado em 2007, pelo primeiro Governo de José Sócrates, no Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico, e no ano seguinte seria adjudicado à Endesa. Contudo, após vários adiamentos, o projeto foi suspenso em 2016, no primeiro Governo de António Costa, conhecido por “geringonça”.

Segundo indica a Câmara de Gouveia, do lado das autarquias, estarão na cerimónia de apresentação do projeto, para lá do presidente anfitrião, o social-democrata Jorge Ferreira, também os edis das câmaras de Seia, Mangualde, Nelas e Fornos de Algodres. Após a sessão no salão nobre, que terá início às 16h30, a comitiva irá visitar o local da barragem, em Girabolhos.

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