Líder do PCP diz que eleições antecipadas “podem ser bem-vindas” se o Orçamento for chumbado
Secretário-geral comunista reconhece “crise” da esquerda, mas não revela se poderá vir a criar uma frente de esquerda que inclua o PS num eventual cenário de eleições legislativas antecipadas.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, garante que não teme eleições legislativas antecipadas caso o Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) seja chumbado no Parlamento. “Se as eleições antecipadas existirem para interromper este caminho desastroso do ponto de vista político, então até podem ser bem-vindas. Se for para ser um compasso de espera para agravar este caminho desastroso, então para pior já basta assim“, afirma, em entrevista ao podcast ‘Política com Assinatura’, da Antena 1.
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Embora assegure que o partido ainda não decidiu o sentido de voto no documento, o líder dos comunistas deixa um aviso: “Nós somos sensíveis a muita coisa, agora temos zero sensibilidade para a pressão e para a chantagem. E, portanto, não nos peçam males menores”. “Não temos nenhum fetiche em votar contra orçamentos da AD, assim como não tivemos nenhum fetiche em votar contra os orçamentos do PS. A questão não é de onde vêm, é o que é que vem”, explica.
Questionado sobre a necessidade de criar uma frente de esquerda, incluindo desde logo o PS, para, por exemplo, reprovar o OE2027, Paulo Raimundo faz a pergunta e responde: “Acha que o PS está numa dinâmica de rutura e mudança? Acho que não está.” Mesmo reconhecendo que a esquerda está a passar por “uma crise como nunca”, afiança que “a esquerda não falha [ao povo]”. “Se me disser assim: ‘o PCP falhou aos trabalhadores?’, não, nunca falhámos aos trabalhadores”, atira, rejeitando igualmente o “mito” da transferência de eleitorado do PCP para o Chega.
Sobre a possibilidade de o Governo insistir em reapresentar alterações à legislação laboral, como disse a ministra do Trabalho durante o congresso do PSD no último fim de semana, o secretário-geral dos comunistas assevera que, nesse caso, “vai ter a mesma resistência, a mesma luta e o mesmo desfecho”. O chumbo do pacote laboral, sublinha, “é uma derrota não apenas do pacote laboral; é o isolar do Governo e das pretensões do Chega”.
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