Sindicato dos pilotos não vai aderir à greve geral de 3 de junho
Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil mostrou-se satisfeito com recuperação dos resultados da TAP e admitiu preocupação com impacto laboral de eventual entrada da Lufthansa no capital da companhia.
O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) não vai aderir à greve geral de 3 de junho contra o pacote laboral, disse esta segunda-feira o presidente da estrutura sindical. Hélder Santinhos comentou ainda os resultados da TAP, adiantando que vê “com bons olhos” a recuperação das contas e admitiu preocupação com o impacto laboral de uma eventual entrada da Lufthansa no capital da companhia aérea.
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“Decidimos afastar-nos deste processo agora”, afirmou Hélder Santinhos, à margem da ConfCAQ 2026 – Conference on Cabin Air Quality, a decorrer no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), a propósito da greve geral agendada para a próxima semana.
“A primeira greve geral foi oportuna. Marcámos uma posição, tanto os pilotos como os trabalhadores de todo o país, contra o pacote laboral”, começou por referir o presidente do SPAC. Agora, o responsável disse que a greve da próxima semana “não parece ter o ‘timing’ mais adequado”, embora reserve o direito a mais ações de luta.
Isto porque, argumentou, “infelizmente as alterações que fizeram no pacote laboral não parecem suficientes para que possamos concordar”.
Já os associados do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) aprovaram a adesão à greve geral a 19 de maio.
A CGTP entregou um pré-aviso de greve geral para 3 de junho contra as alterações à lei laboral, após as negociações com o Governo terem terminado sem acordo.
A propósito dos números apresentados esta manhã pela TAP, Hélder Santinhos mostrou-se satisfeito com a evolução positiva reportada pela empresa. Os prejuízos da TAP Air Portugal recuaram para 39,9 milhões de euros no 1.º trimestre do ano, face aos 108,2 milhões reportados no período homólogo, uma recuperação que a companhia aérea atribui ao papel de mercados como a América do Sul e América do Norte.
Em comunicado, a companhia aérea portuguesa destacou o crescimento de 11% das receitas operacionais, para 914,4 milhões de euros, face ao período homólogo, impulsionadas sobretudo pelo aumento das receitas de passagens e pela melhoria das receitas unitárias, num contexto de crescimento da capacidade (+3,9%).
“O que queremos é que as empresas tenham o maior sucesso possível”, afirmou o dirigente sindical, acrescentando que o SPAC sempre defendeu que a TAP é uma empresa rentável.
Hélder Santinhos referiu que os problemas que a companhia aérea portuguesa tem tido no passado derivaram de decisões políticas e da covid-19, que “felizmente teve algumas coisas boas”, referindo-se à alienação do negócio de manutenção da TAP no Brasil.
“Com esta âncora fora não me surpreende nada que os resultados da TAP sejam bons”, afirmou.
Sobre o impacto destes resultados no processo de privatização, o presidente do SPA referiu que as empresas interessadas pensam a nível estratégico, pelo que “não terão grande influência”.
“Eles [Lufthansa e Air France-KLM] veem a importância de Portugal, a estrutura de custos da empresa, a nossa maneira de trabalhar. Temos profissionais muito bons, tanto pilotos como manutenção”, referiu.
Para Helder Santinhos “ambas as empresas estão muito comprometidas com a privatização e vão apresentar propostas independentemente dos resultados”.
Relativamente ao interesse de ambas as companhias, o presidente do sindicato preferiu não se pronunciar sobre uma preferida, dizendo estar “muito preocupado” com a forma como a Lufthansa encara as relações laborais.
Numa carta enviada ao ministro das Infraestruturas e Habitação, em abril, o SPAC afirmou que é favorável à reprivatização da TAP, mas apenas se os potenciais compradores mostrarem “idoneidade sólida” nos planos técnico, financeiro e laboral.
No caso da Lufthansa, o sindicato disse estar preocupado com o relacionamento da companhia com o VC Cockpit, principal sindicato dos pilotos alemães, e refere “atitudes de desconsideração por acordos em vigor” e “táticas anti-sindicais pouco éticas que, a serem importadas para a TAP, comprometeriam gravemente a paz social-laboral e a eficiência do Hub de Lisboa”.
“Isto leva-nos a pensar que existe uma estratégia para neutralizar o poder dos sindicatos, já levamos essa preocupação ao Governo, porque a última coisa que a TAP precisa será da agitação laboral num período de pós-privatização”, referiu.
Helder Santinhos disse não ter recebido qualquer reposta por parte do executivo de Luís Montenegro.
Na corrida à reprivatização da TAP, estão a Air France-KLM e a Lufthansa, depois de a IAG, dona da Iberia e da British Airways, não ter avançado com uma proposta.
Nesta terceira fase do concurso, os interessados têm de entregar as propostas vinculativas até julho.
O Governo quer alienar até 49,9% do capital da companhia, dos quais 44,9% a um investidor de referência e até 5% reservados a trabalhadores, num processo em que serão tidos em conta o preço, o plano industrial, a conectividade e a capacidade financeira do comprador.
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