Banca portuguesa tem quase 600 milhões de exposição ao Médio Oriente

Em contrapartida, os bancos nacionais guardavam mais de 400 milhões de euros em depósitos de empresas e famílias dos países mais expostos ao conflito no Irão, incluindo dois milhões de governos.

ECO Fast
  • A banca portuguesa apresenta uma exposição direta ao Médio Oriente de quase 600 milhões de euros, uma das mais elevadas da União Europeia.
  • Embora a exposição dos bancos nacionais em dívida pública tenha sido eliminada, o crédito concedido aumentou em 105 milhões de euros, refletindo uma mudança na estratégia.
  • A Autoridade Bancária Europeia alerta que um aumento das tensões na região pode impactar negativamente a economia global e setores intensivos em energia.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A banca portuguesa tem quase 600 milhões de euros de exposição direta ao Médio Oriente, uma das dez maiores da União Europeia (UE), de acordo com os dados revelados esta segunda-feira pela Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês).

Esta exposição ascendia a 583 milhões de euros no final do ano passado e correspondia essencialmente a empréstimos a famílias (290 milhões), instituições de crédito e financeiras (188 milhões) e empresas (105 milhões), segundo a mesma fonte.

Os dados mostram um aumento de 105 milhões de euros (22%) em relação a junho. Os bancos nacionais cortaram toda a exposição que tinham em termos de dívida pública daquela região, que era de 27 milhões no final do primeiro semestre do ano passado, mas aumentaram o crédito concedido na segunda metade de 2025.

Esta carteira de empréstimos representava menos de 0,5% da exposição total dos bancos da UE em dezembro, que superava os 132 mil milhões de euros, de acordo com a EBA. Esta autoridade avisa que, embora as exposições “permaneçam limitadas (apenas 0,5% dos ativos totais dos bancos da UE)”, um escalar das tensões poderia ter impactos secundários mais adversos “principalmente através de preços da energia mais elevados, pressões inflacionistas, crescimento económico global mais fraco e perturbações nas cadeias de abastecimento”.

“Estes efeitos seriam particularmente sentidos em setores com utilização intensiva de energia, como os transportes, a construção e certos segmentos da indústria transformadora”, salienta.

França tem maior exposição

Fonte: EBA

A banca francesa era a mais exposta, com perto de 61 mil milhões de euros, representando praticamente metade da exposição europeia ao Médio Oriente. Seguiam-se Alemanha e Espanha, ambos com mais de 18 mil milhões de euros, e Itália, com 13,7 mil milhões.

Por seu turno, os bancos portugueses guardavam 407 milhões de euros em depósitos de famílias e empresas daquela região embora dois desses milhões dissessem respeito a depósitos de governos, que o relatório da EBA não identifica quais são.

Segundo a EBA, a banca europeia tinha 99,2 mil milhões de euros de depósitos, 34 mil milhões dos quais de bancos centrais e 4,5 mil milhões de governos.

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