Industriais do calçado vendem Portugal como “novo destino” de negócios

Com produção exclusiva, localização estratégica, conhecimento e a aposta na digitalização, o setor do calçado assume a ambição de ser uma alternativa à produção massificada da Ásia.

Os industriais do calçado reclamam que “Portugal pode ser uma alternativa à produção massificada da Ásia” e que já deram “provas claras dessa ambição”. Os empresários nacionais desabafam que a Europa “não pode resignar-se a um papel secundário”.

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Temos o conhecimento, a criatividade, a tradição e a tecnologia para propor uma alternativa credível e competitiva ao modelo de produção massificadaPortugal tem dado provas claras dessa ambição”, afirmou o presidente da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS) na sessão de abertura de uma conferência sobre o futuro da indústria do calçado, esta terça-feira no Porto.

Temos o conhecimento, a criatividade, a tradição e a tecnologia para propor uma alternativa credível e competitiva ao modelo de produção massificada. Portugal tem dado provas claras dessa ambição.

Luís Onofre

Presidente da Apiccaps

Luís Onofre contabilizou que a Ásia é responsável por quase 90% dos 24 mil milhões de pares de sapatos produzidos a nível mundial, o que “torna o setor vulnerável e desequilibrado” e “ignora o imenso potencial de outras regiões do mundo, nomeadamente da Europa”.

Por outro lado, Vasco Rodrigues, da Universidade Católica, recordou que, há 30 anos, cerca de um terço do calçado produzido no mundo era feito na Europa e que hoje a produção europeia responde por apenas 2,3%.

Luís Onofre assegura que o setor português de calçado “tem dado provas de ambição” e contabiliza que o cluster investiu 120 milhões de euros nos últimos três anos nas áreas da automação, robótica e sustentabilidade.

“Trata-se do maior ciclo de investimento do setor de calçado em Portugal”, enfatizou Onofre, destacando que “é um passo decisivo para tornar a nossa indústria numa das mais modernas do mundo”.

Dois grandes investimentos estão neste momento em curso: um investimento de 60 milhões de euros em sustentabilidade com o projeto BioShoes4All e um investimento de 50 milhões de euros em automação e digitalização, com o projeto FAIST.

No plano estratégico para a próxima década, o cluster do calçado, que tem como desafio “tornar-se ma referência internacional no desenvolvimento de soluções sustentáveis”, pretende investir 600 milhões de euros até 2030.

A representante da Comissão Europeia em Portugal, Sofia Moreira de Sousa, lembrou o “compromisso político e económico” de Bruxelas “para reforçar a competitividade industrial europeia, acelerar a transição verde e digital e garantir que a Europa continue a ser um espaço de inovação, de produção e tecnologia”.

Sofia Moreira de Sousa apontou ainda a automação, a robótica avançada, a inteligência artificial e os novos modelos de consumo como fatores que “vão redefinir o papel da Europa nas cadeias de valores globais”, garantindo que para a CE é “uma prioridade apoiar a indústria para que se torne mais consciente, mais digital e mais sustentável”.

Cinco razões para escolher Portugal como novo destino de negócios

A diretora do Centro Tecnológico do Calçado de Portugal (CTCP) enumera “cinco razões para escolher Portugal como novo destino de negócios”. Florbela Silva começa por dizer que “Portugal fabrica sapatos verdadeiramente exclusivos”, sendo que o ano passado exportou 68 milhões de pares de calçado para 170 países.

A segurança também é mencionada com Florbela Silva, ao notar que “Portugal é um dos 20 países mais seguros do mundo para fazer negócios”. Destaca também que os portugueses são “parceiros fiáveis conhecidos pela elevada qualidade e flexibilidade”.

A terceira razão elencada passa pela sustentabilidade nos produtos e processos, justiça e lealdade para com os clientes e funcionários. A localização estratégica que permite chegar facilmente à Europa Central por via terrestre e aérea é outras das razões.

Por fim, a gestora do CTCP fala na diversidade paisagística do país e na gastronomia. “Já que estão em negócios, também podem divertir-se um pouco”, diz durante a intervenção na conferência sobre o futuro da indústria do calçado, que decorreu esta terça-feira no Porto e juntou empresários de vários países.

“Pagar melhor” para reter talento e usar robôs para complementar o trabalho

Com a aposta na automação, robótica e soluções sustentáveis, a diretora do Centro Tecnológico do Calçado de Portugal assegura que o “setor está a entrar numa nova era” e que “a inovação made in Portugal está a redefinir a forma como o mundo funciona”.

O setor está a entrar numa nova era e a inovação made in Portugal está a redefinir a forma como o mundo funciona.

Florbela Silva

Diretora do Centro Tecnológico do Calçado de Portugal

Aproveitando todo o potencial da transformação digital, os empresários estão empenhados em tornar o “setor do calçado num dos mais modernos e competitivos do mundo”, de acordo com Luís Onofre, o líder da associação que representa o setor.

Apesar da aposta na digitalização, os empresários defendem que o maior valor está nos recursos humanos. “As empresas sem as pessoas, não valem nada”, disse o CEO da DCSI Pro, Fernando Ferro. No entanto, o gestor afirma que “as empresas têm de pagar melhor para reter talento”, uma forma de combater a falta de mão-de-obra qualificada que é apontada como um dos principais desafios do setor.

Perante um setor em transformação, “os robôs não vão substituir as pessoas, mas sim complementar o trabalho”, defende Ventura Correia, diretor do departamento de fabricação de moldes da Carité, que está a apostar na automatização e robotização.

Albano Fernandes, administrador da MF Safety Shoes, assegura que a robotização e automação são a “solução para o setor continuar a ser competitivo”. Para o CEO da Rodiro, Ricardo Costa, a tecnologia permite uma “maior eficiência” e “alocar os recursos humanos a outras áreas não tão desgastes”.

Várias empresas que marcaram presença no evento como a Bolflex, a Diverge e a DCSI Pro não têm dúvidas de que o setor do calçado vai beneficiar com a Inteligência Artificial.

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