Das pistas ao catering, o que a ANA propôs mudar nas especificações do novo aeroporto
A ANA considera que as especificações do novo aeroporto previstas no contrato de concessão estão desatualizadas. Governo concordou na maioria dos casos.
A ANA entregou o Relatório das Consultas ao Governo a 17 de junho, elaborado com base em 67 contributos de autarquias, autoridades e entidades públicas, companhias aéreas, empresas de assistência em escala e parceiros comerciais. O documento inclui nove propostas de alteração ao anexo 16 do contrato de concessão, que define as especificações do novo aeroporto de Lisboa.
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Sete foram aceites pelo Governo em informação transmitida numa carta enviada à concessionária a 16 de setembro, assinada pelos ministros das Infraestruturas e Finanças. ANA vai avançar com a elaboração dos próximos dois relatórios previstos na candidatura: o ambiental e o técnico.
Dimensão das pistas
O contrato de concessão, que data de 2012, prevê a construção inicial de duas pistas que “deverão ter um comprimento aproximado de 4.000 metros, estar afastadas entre si de 1.980 metros e deverão poder ser operadas independentemente uma da outra”.
A ANA propôs que as duas primeiras pistas tenham um comprimento igual ou superior a 3.500 metros. “O comprimento final de pistas deverá ser determinado após análise aprofundada da geometria das pistas e das necessidades operacionais”, acrescenta. O Governo considerou pertinente a alteração.
Separação das pistas
O contrato prevê a localização das potenciais terceira e quarta pista, separadas respetivamente de 760 metros de cada pista principal. A ANA considera que “o sistema deve permitir operações independentes triplas, pelo que a segunda e terceira pista devem estar separadas entre si por 1.525 metros. Mantém-se a separação de 760 m entre a terceira e a quarta pista”. O Governo aceita a alteração.
Posições de contacto
Num aeroporto, as posições de contacto referem-se às zonas de estacionamento das aeronaves próximas do terminal e que permitem o embarque e desembarque direto dos passageiros. O contrato de concessão prevê que, no mínimo, as posições de contacto têm de representar 75% das posições, podendo as restantes ser remotas.
A ANA propõe substituir esta especificação por “90% dos passageiros processados em contacto (pier service), em média, incluindo pontes de embarque [mangas] e walk-in walkout“. O Governo concorda, mas assinala que sobre este ponto deve ser mantido o diálogo com os stakeholders e deverá ser definido como “indicador de nível de serviço”.
A ANA propõe também, e foi aceite, que o uso das posições de contacto com ponte de embarque de passageiros seja prioritária apenas para as companhias áreas full service carrier. Ou seja, excluindo as low cost, que preferem o acesso a pé.

Plataforma de estacionamento de aeronaves
Neste tema são propostas duas alterações, ambas aceites. Uma é a “eliminação do comprimento mínimo de 120 metros para as posições de contacto, e substituição pela referência ao cumprimento com a normativa aplicada e garantia de operação segura e eficiente”. A outra é o estreitamento (20 metros de largura em vez de 24) das vias de serviço na cabeceira das posições.
Instalações de catering
A ANA propõe remover a especificação do contrato que obriga à disponibilização de “uma zona de preparação de refeições com um mínimo de 0,52 m2 por refeição”, o que foi aceite.
O Governo não concorda que seja retirada a obrigatoriedade de construir dois edifícios para as instalações do catering, um deles a construir pelo gestor aeroportuário com acesso ao lado ar e ao lado terra.
Reservas de combustível
O anexo 16 especifica que “as instalações de armazenagem de combustível deverão garantir, em cada fase de desenvolvimento do Aeroporto, uma autonomia de 5 dias“. A ANA pretende baixar para três dias.
O Governo entende que “não existindo um consenso generalizado”, o Relatório Técnico deve ser elaborado com a especificação original, embora esteja disponível para discutir uma otimização.
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