Certificados de Aforro voltam a pagar mais de 2% em setembro
A taxa de juro base dos Certificados de Aforro voltará a subir em setembro, após cinco meses consecutivos em queda. As subscrições realizadas no próximo mês pagarão 2,028%.
A taxa de juro base dos Certificados de Aforro para novas subscrições em setembro vai fixar-se em 2,028%, segundo cálculos do ECO. Será o primeiro aumento mensal desde fevereiro de 2023 e voltará a apresentar uma remuneração acima dos 2%, depois de em agosto ter baixado dessa fasquia pela primeira vez em quase três anos.
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O aumento de 4,1 pontos base da taxa base destes títulos de dívida da República em setembro face às subscrições em agosto interrompe uma sequência de cinco meses consecutivos de descidas que se iniciou em abril deste ano.
Esta deterioração tinha quebrado com o “período dourado” que os aforradores viveram desde março de 2023, quando os Certificados de Aforro apresentavam sistematicamente a taxa base máxima permitida por lei — que era de 3,5% na Série E e depois 2,5% na Série F (a série atualmente disponível para comercialização).
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Este movimento ascendente da taxa de juro base dos Certificados de Aforro em setembro está diretamente ligado ao comportamento da taxa Euribor a 3 meses, o indexante utilizado para calcular a remuneração destes ativos. Desde o início de agosto que a Euribor a 3 meses tem registado uma trajetória de subida face aos valores de agosto, alcançando valores que oscilaram entre 2,017% e 2,036% nas últimas DEZ sessões que servem de referência para o cálculo da taxa de juro base.
Esta estabilização acima dos 2% na Euribor surge num contexto em que o Banco Central Europeu manteve as taxas diretoras inalteradas na última reunião de política monetária de julho, fazendo uma pausa no ciclo de cortes que se iniciou em junho de 2024. A próxima reunião do BCE está agendada para 10 e 11 de setembro, com os mercados divididos sobre a possibilidade de um novo corte de 25 pontos base.
Atratividade face aos depósitos
A determinação da taxa de juro dos Certificados de Aforro da Série F é calculada mensalmente no antepenúltimo dia útil do mês, para vigorar durante o mês seguinte, através da média aritmética dos valores da Euribor a três meses observados nos dez dias úteis anteriores.
O resultado é arredondado à terceira casa decimal e está sujeito a limites definidos: não pode ser superior a 2,5% nem inferior a 0%. Esta taxa base constitui apenas uma componente da remuneração total, à qual se somam os prémios de permanência que variam consoante o período de aplicação: 0,25% do segundo ao quinto ano; 0,50% do sexto ao nono ano; 1% no décimo e décimo primeiro ano; 1,50% no décimo segundo e décimo terceiro ano; e 1,75% no décimo quarto e décimo quinto ano.
Apesar da queda da taxa de juro base dos últimos meses, os Certificados de Aforro mantêm uma vantagem competitiva face aos depósitos bancários. Os dados mais recentes do Banco de Portugal, referentes a junho, mostram que a taxa de juro média dos novos depósitos a prazo se situa nos 1,43%, ficando claramente abaixo da remuneração oferecida pelos Certificados de Aforro, mesmo após as descidas registadas nos últimos meses.
Isso tem feito com que os Certificados de Aforro continuem a ser amplamente procurados pelas famílias. Em julho, o stock total aplicado pelas famílias nestes títulos de dívida do Estado superou os 38 mil milhões pela primeira vez, segundo dados divulgados na semana passada pelo Banco de Portugal, como resultado da captação de 404 milhões de euros em subscrições líquidas de resgates e de dez meses seguidos com valores positivos.
A recuperação da taxa para setembro oferece novo alento aos aforradores que viram a remuneração deste produto de poupança deteriorar-se nos últimos meses, sinalizando que a trajetória descendente pode ter chegado ao fim, pelo menos temporariamente.
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