Entrada da Digi em Portugal coloca reclamações à Anacom em rota de crescimento

Desde o primeiro trimestre de 2023 que o número de reclamações remetidas ao regulador estava a decrescer. Não mais. Entre janeiro e março de 2025, as queixas inverteram e voltaram a aumentar.

O número de queixas à Anacom que tiveram como alvo as empresas de comunicações — incluindo do setor postal — cresceu no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior. Esta tendência não se registava desde o primeiro trimestre de 2023, sendo parcialmente explicada pela entrada em Portugal da nova operadora Digi, que foi alvo de mais de mil reclamações no primeiro trimestre completo de atividade.

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No total, o regulador das comunicações registou entre janeiro e março cerca de 27 mil reclamações escritas de consumidores contra empresas de comunicações como Meo, Nos, Vodafone e CTT, mais 8% do que no primeiro trimestre de 2024. Olhando apenas para o setor das telecomunicações, o número subiu 13%, para 17,8 mil reclamações, sendo o grosso das reclamações enviadas à Anacom.

“Para a subida terá, em parte, contribuído a entrada da Digi no mercado no último trimestre de 2024, que contabilizou 1,1 mil reclamações no período em análise”, destaca a entidade presidida por Sandra Maximiano. Aliás, segundo a Anacom, “a Digi representa já 6% das reclamações do setor”, com o número a mais do que duplicar face ao último trimestre do ano passado, quando se estreou no mercado português. Já o número de reclamações contra a Nowo cresceu 64% no mesmo período, tendo esta operadora sido adquirida pela Digi em agosto de 2024, por 150 milhões de euros.

Em termos absolutos, a Vodafone foi a operadora mais reclamada (um terço do total), seguindo-se a Nos (31%) e depois a Meo (26%). A Anacom destaca o aumento absoluto das reclamações contra a Meo (+14%) e contra a Vodafone (+11%) e a quebra nas reclamações contra a Nos (-8%). Já se a métrica usada for o número de reclamações por mil clientes, que permite comparar as operadoras por igual, a Nos (1,9 queixas por mil clientes) superou a Vodafone (1,7) e a Meo (1).

Fonte: Anacom

A maioria das reclamações apresentadas à Anacom prendiam-se com demoras ou reparação deficiente de falhas nos serviços, seguidas de perto pelas falhas no serviço de acesso à internet fixa, falhas no serviço de TV e demora ou não resolução de reclamações. Concretamente sobre a Digi, a maioria das reclamações diziam respeito a falhas no serviço móvel, demoras várias ou interrupções do serviço.

No mês passado, a Digi pediu “paciência” aos clientes, mostrando-se consciente da “necessidade de melhorar” o atendimento aos clientes. “Estamos a trabalhar nisso”, disse Serghei Bulgac, CEO da Digi Communicatons, dona da Digi Portugal, durante a apresentação dos resultados trimestrais, que mostraram que a empresa está a registar uma dinâmica bastante mais forte no serviço móvel do que no fixo, apesar da cobertura de rede mais limitada do que a das empresas incumbentes.

Especificamente no setor postal, os CTT foram alvo de 79% de todas as reclamações, seguindo-se a DPD (9%). “O conjunto de outros prestadores postais menos reclamados representou cerca de 12% das reclamações do setor e também viu aumentar as reclamações neste período (+27%)”, remata a autoridade das comunicações.

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