Bruxelas alerta para pressão na despesa com salários da Função Pública e prestações sociais
Comissão Europeia dá aval ao Plano Orçamental Estrutural de Médio Prazo de Portugal, mas alerta para riscos para a despesa associados à pressão dos salários da Função Pública e das prestações sociais.
A Comissão Europeia vê riscos para a despesa associados à pressão dos salários da Função Pública e das prestações sociais. A avaliação de Bruxelas consta da avaliação ao Plano Orçamental Estrutural de Médio Prazo, que, ainda assim, considerou estar na globalidade em linha com as suas recomendações.
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“No geral, todas as diferenças dos pressupostos tomados levam a um crescimento médio da despesa líquida no plano que está globalmente em linha com a trajetória de referência”, indica o relatório divulgado no âmbito do Pacote do Outono do Semestre Europeu.
Portugal entregou à Comissão Europeia, no dia 11 de outubro, um plano estrutural para os próximos quatro anos, no qual prevê cumprir a trajetória plurianual das despesas líquidas definida por Bruxelas de, em média, 3,6%. O executivo comunitário considerou que o documento cumpre os requisitos e recomendou que o Conselho aprove a estratégia definida.
No entanto, deixou um aviso: “Existem riscos para a implementação da estratégia orçamental indicativa do plano, que decorrem de riscos associados ao aumento das pressões sobre as despesas salários públicos e transferências sociais”.
Bruxelas considera que, de acordo com a estratégia orçamental indicativa do plano, os compromissos relativos às despesas líquidas serão cumpridos através da contenção das despesas e de aumentos discricionários das receitas.
A Comissão destaca que, embora o plano apresente medidas de política orçamental que diminuam as receitas, como a atualização prevista do IRS Jovem, espera que sejam compensadas pelo fim das medidas de emergência de apoio em energia em 2025, como o descongelamento da Taxa de Carbono no âmbito do imposto sobre os combustíveis, e a eliminação progressiva dos projetos financiados por empréstimos do Mecanismo de Recuperação e Resiliência em 2027.
“A especificação das medidas políticas a adotar deve ser confirmada ou ajustada e quantificada nos orçamentos anuais”, indica, acrescentando que o plano pretende contribuir para satisfazer as necessidades de investimento público de Portugal relacionadas com as prioridades comuns da União Europeia.
Perfil de ajustamento
A Comissão Europeia mostra-se também tranquila relativamente a ligeiras diferenças entre as suas previsões e as do Ministério das Finanças, considerando que resultam da atualização de dados. O principal destaque prende-se com o perfil de ajustamento distinto entre Bruxelas e Governo.
“O plano pressupõe um perfil temporal do ajustamento orçamental, medido como a variação do saldo primário estrutural, que é adiado para 2027 e 2028, em comparação com o pressuposto da Comissão de um ajustamento linear. Isto contribui para um crescimento médio da despesa líquida mais baixo durante o período de ajustamento do plano do que de acordo com os pressupostos da Comissão”, pode ler-se.
Segundo o executivo comunitário, esta diferença resulta do impacto projetado nas despesas dos projetos financiados pelos empréstimos do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, que deverá aumentar para 1% do PIB em 2026, em comparação com 0,1% do PIB em 2024. Desta forma considera que a suposição está “devidamente” justificada.
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