Número de condenados por corrupção e crimes conexos é o mais baixo dos últimos 16 anos
Houve 102 condenações por crimes económico-financeiros em 2021, menos de metade das 239 registadas em 2019. No Ministério Público, há quem atribua a queda abrupta ao impacto da pandemia na Justiça.
Em 2021, contabilizaram-se 102 condenações por corrupção e crimes conexos nos tribunais de primeira instância portugueses. De acordo com o Público (acesso pago), que cita dados da Direção-Geral de Política de Justiça, trata-se do valor mais baixo dos últimos 16 anos do número de condenados por crimes de corrupção, peculatos, abusos de autoridade (inclui o abuso de poder e a violação de regras urbanísticas, entre outros), tráfico de influência e os ilícitos cometidos no âmbito da lei que prevê os crimes da responsabilidade de titulares de cargos políticos.
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Tal representa menos de metade das 239 condenações registadas em 2019, antes da pandemia de Covid-19, pelo mesmo tipo de crimes, sendo esse o valor mais alto dos últimos 20 anos. Embora a evolução das condenações nas últimas duas décadas não tenha sido linear, nem sempre no mesmo sentido, a tendência tem sido de crescimento: com 3.210 condenados pelos crimes da amostra entre 2002 e 2021, contabilizaram-se 1.770 condenados nos dez anos mais recentes (média de 177 por ano) e 1.440 nos dez anos mais antigos (a média desce para 144 por ano); considerando apenas os cinco anos antes da Covid-19 (2019-2015), a média sobe para 191 por ano.
O diretor do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Faro, António Ventinhas, atribui a queda abrupta no número de condenados aos efeitos da pandemia, que fizeram cair o número total de condenados por todos os crimes de pouco mais de 47 mil em 2019 para 36.500 no primeiro ano da pandemia. Em 2021, o total de arguidos punidos pelos tribunais criminais voltou a subir para quase 44 mil, mas Ventinhas acredita que os crimes económico-financeiros são uma exceção nessa recuperação. “Temos que ter em conta que estes casos são habitualmente complexos e muito morosos”, nota o antigo dirigente sindical.
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