Segurança Social investe na bolsa e estas são as dez maiores posições em ações
Apesar de investir muito mais em dívida pública, o fundo de reserva da Segurança Social pode aplicar até 25% do ativo total em ações. Da Nestlé à Richemont, estas são as dez preferidas.
A Segurança Social investe na bolsa? Sim, investe. O tema foi chamado a debate na corrida às legislativas de 30 de janeiro, com os vários candidatos a apresentarem diferentes visões sobre como garantir a sustentabilidade do sistema contributivo, para que as gerações mais novas de contribuintes, um dia, possam beneficiar das merecidas pensões de velhice.
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João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, foi um dos que abordou a temática no debate com António Costa, secretário-geral do PS. O primeiro defende a redução das contribuições para permitir aos portugueses investirem o dinheiro onde quiserem, nomeadamente nos mercados financeiros, ao que Costa respondeu que esse sistema “deixa completamente desprotegidas as poupanças”. Cotrim retorquiu que, nessa lógica, a Segurança Social “também está a pôr em risco as poupanças dos portugueses”, por investir na bolsa.
O “cofre” que guarda o tesouro da Segurança Social chama-se Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS). É lá que estão guardadas as reservas que, um dia, poderão servir para pagar prestações a quem delas necessite. Em 31 de dezembro de 2020, detinha ativos avaliados em 21,76 mil milhões de euros, mais 4,33% do que no ano anterior.
Este dinheiro não está parado, até porque, se assim fosse, rapidamente era corroído pela inflação. Para tentar garantir que o “bolo” vá ficando maior, a Segurança Social junta-lhe algum fermento — aplica o dinheiro nos mais variados tipos de investimentos. A dívida pública era, nessa data, 50,49% do total.
Além das obrigações soberanas, o FEFSS distribui a restante metade por outras classes de ativos: dívida privada, outros fundos de investimento, ativos imobiliários e… diretamente em ações. Por lei, pode alocar até 25% do ativo total a títulos de empresas que negoceiem na bolsa.
Como cada ação tem um preço mais volátil do que, por exemplo, o imobiliário, o fundo contabiliza o valor das posições tendo por base a última cotação do ano a que diz respeito. Mais do que o número de ações, é o valor de cada posição que permite perceber, afinal, quais as ações preferidas pelos gestores da fortuna da Segurança Social.
Estas são as dez maiores posições em ações:
- Nestlé, o maior grupo alimentar europeu
- Novartis, uma farmacêutica
- Roche, outra farmacêutica
- Zurich, a seguradora
- AstraZeneca, que fez as vacinas da Covid
- ABB, fabricante de eletrónica
- UBS, banco de investimento
- Shell, a conhecida petrolífera
- Lonza, uma empresa de químicos e biotecnologia
- Richemont, uma marca de luxo
Não são as únicas empresas diretamente detidas pelo fundo. Entre as posições encontram-se, por exemplo, a Unilever, o HSBC, o Credit Suisse, SAP e Coca-Cola. Detém ainda posições indiretas em empresas através de investimentos em ETF, que são fundos de índice que negoceiam no mercado. Os que replicam o S&P 500 são os preferidos da Segurança Social.
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