Qualidade da execução dos fundos piorou no final do QREN

Nos últimos anos dos fundos do QREN, os apoios foram atribuídos a empresas menos produtivas ou que acabaram por falir, mostra estudo.

Os últimos anos dos quadros de apoios comunitários são habitualmente marcados por uma maior pressão para executar os fundos e não deixar fugir o dinheiro. O estudo “Avaliação do apoio financeiro a empresas em Portugal, QREN e PT2020”, da autoria de Fernando Alexandre, professor de economia da Universidade do Minho, aponta para uma deterioração na qualidade da seleção das candidaturas nos últimos anos do QREN.

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Olhando para todas as empresas apoiadas em 2009, 42% permaneciam no mesmo decil de produtividade em 2012, 37% moveram-se para cima e apenas 22% baixaram. Quando se avança para 2014, o último ano do QREN, já só 31,7% melhoraram a sua posição relativa na distribuição de produtividade da economia três anos depois.

Em sentido inverso, as que pioram a sua posição apesar de receberem fundos aumenta. Em 2014 são 42,6%, quase o dobro de 2009. Esta tendência é mais notória nas empresas que receberam apoios a fundo perdido, do que nas que receberam incentivos reembolsáveis, mas existe em ambas.

Fonte: Estudo “Avaliação dos incentivos financeiros às empresas em Portugal” e Agência para o Desenvolvimento e Coesão

 

“O facto do aumento da percentagem de empresas que se mudaram para decis inferiores de produtividade coincidir com o período final do QREN, altura em que as taxas de aprovação foram também mais elevadas, sugere que projetos menos promissores possam ter sido selecionados para receberem incentivos FEDER”, refere o estudo.

Outro dado que aponta neste sentido é o aumento progressivo das empresas que faliram. O número e percentagem de empresas que saíram do mercado três anos após terem recebido incentivos aumentam significativamente entre 2008 e 2014, passando de 1% para 13%. Ou seja, mais de uma em cada dez empresas apoiadas no último ano do QREN não existia três anos depois.

O estudo nota, no entanto, que “a elevada incerteza quanto à crise financeira internacional e a crise da dívida soberana também podem ter dificultado a avaliação das candidaturas aos fundos FEDER e afetado os efeitos dos fundos”.

Ainda assim, “os resultados observados no QREN sugerem que a alocação de incentivos se pode deteriorar na fase final de execução dos Quadros Comunitários. Deve assim procurar-se uma execução mais regular ao longo de todo o período em que vigora o Quadro Comunitário“, recomenda o autor. Este mês foi lançado o último grande concurso do PT2020, no valor de 400 milhões.

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