Finanças usam há um ano apenas estimativas para calcular a execução orçamental dos municípios
Dificuldades de reporte devido aos constrangimentos com a implementação do novo Sistema de Normalização Contabilística para as Administrações Públicas obriga a cálculo com execução homóloga.
O Ministério das Finanças está há um ano a usar apenas estimativas para calcular a execução orçamental dos municípios. Em causa estão as dificuldades de reporte criadas pelos constrangimentos decorrentes da implementação do novo Sistema de Normalização Contabilística para as Administrações Públicas.
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Desde janeiro de 2020 que a Direção Geral do Orçamento, todos os meses, alerta nas Sínteses de Execução Orçamental que a execução de 2020 está “influenciada por dificuldades de reporte na sequência de constrangimentos decorrentes da implementação do SNC-AP”, o sistema de informação ao qual os municípios têm de reportar informação da mais variada natureza, nomeadamente contabilística.
“O Ministério das Finanças/DGO encontra-se igualmente afetado pelo baixo número de reportes de informação de execução orçamental e mapa de pagamentos em atraso dos municípios, numa base mensal. Para a publicação na Síntese de Execução Orçamental dos dados dos municípios, a DGO considera uma estimativa com base no perfil de execução do período homólogo para os municípios faltosos”, explicou ao ECO fonte oficial do ministério liderado por João Leão.
“Atendendo a que um conjunto significativo de municípios não procedeu ao reporte, a informação de novembro de 2020 considera uma estimativa com base no perfil de execução do período homólogo”, pode ler-se na última síntese. Uma frase que é publicada consecutivamente há um ano, onde apenas varia o mês em questão.
Por outro lado, a implementação deste novo Sistema de Normalização Contabilística para as Administrações Públicas também tem consequências ao nível da informação sobre os prazos de pagamento das câmaras e o seu passivo financeiro. Também aqui a DGO explica que “para os dados da Administração Local” é “considerado o stock de passivos do mês de dezembro 2019, uma vez que, com a implementação do SNC-AP pela Administração Local no início de 2020, o universo de reporte é ainda pouco significativo”.
Esta situação levou o Conselho das Finanças Públicas a optar por não publicar, em novembro, o relatório sobre a evolução orçamental da Administração Local, adiando-o para maio. “Mais de um terço dos municípios encontra-se ainda em falta no que se refere à execução orçamental até ao final do primeiro semestre de 2020 e, no que se refere à aferição da situação de endividamento, encontram-se disponíveis os dados de cerca de metade dos municípios”.
A expectativa do organismo liderado por Nazaré da Costa Cabral é que, “em maio do próximo ano, seja já possível dispor de informação completa para a elaboração do relatório, mas já sobre a totalidade do ano.
Da mesma forma, os dados divulgados pela Direção-Geral das Autarquias Locais (DGAL) sobre os prazos médios de pagamento superiores a 60 dias também não são atualizados desde 11 de novembro de 2019, com referência ao terceiro trimestre desse ano.
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