Exclusivo Governo trava acordo que pôs fim à guerra nas concessões da Brisa

A Brisa e os fundos credores da Brisal e Douro Litoral tinham chegado a acordo, mas o Governo travou o negócio porque não salvaguarda direitos do Estado. Venda da Brisa pode ser posta em causa.

O acordo foi anunciado com estrondo: Depois de meses de guerra, a Brisa e os credores das concessões das autoestradas Douro Litoral (AEDL) e Litoral Centro (Brisal) tinham chegado a um acordo no final de agosto. O acordo previa a desistência dos processos legais e mantinha a Brisa como dona da Brisal, enquanto a Douro Litoral passava para o controlo dos fundos, mas foi travado pelo Instituto de Mobilidade e Transportes (IMT), o regulador que depende do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, apurou o ECO junto de várias fontes conhecedoras do negócio.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

Oficialmente, ninguém faz comentários ao que está em causa, especialmente porque este acordo resultou de meses de negociações que, em alguns momentos, estiveram à beira da rutura, mas o processo está neste momento em discussão entre os advogados das três partes. O Governo não abdica da mudança de alguns pontos do acordo que, na avaliação do IMT, não salvaguarda o interesse do Estado como concedente da Brisal e da Douro Litoral. Mas não foi possível conhecer os detalhes do que está em causa. Certo é que o acordo está congelado, e na melhor das hipóteses, poderá haver a luz verde do Estado até ao março.

O Governo sabe que tem vantagem nas negociações, porque o tempo corre a seu favor. Depois deste entendimento, a família Mello e o fundo Arcus anunciaram formalmente o processo de venda de 80% do capital da Brisa, mas este impasse poderá pôr este negócio em causa. Ainda no último ECO Insider, revelámos que as propostas não vinculativas para a compra de 80% da Brisa já tinham chegado aos Mello e ao fundo Arcus.

O acordo entre a Brisa e os fundos credores foi anunciado em agosto e condicionado à aprovação do Governo. Na altura, em comunicado, a Brisa considerou que o acordo assegurava “a necessária defesa do interesse público, garantindo os interesses das comunidades locais, bem como os níveis de serviço inerentes a estas duas concessões rodoviárias”. O IMT, no entanto, tem outra avaliação.

Em relação à concessão Litoral Centro [Brisal], que explora 97 quilómetros da A17 entre a Marinha Grande e o Aveiro, o acordo de princípio mantém a Brisa como acionista maioritário e operador da infraestrutura rodoviária concessionada, “iniciando-se agora um processo de refinanciamento que implicará a substituição dos atuais credores, cujos créditos serão reestruturados, com perdão parcial da dívida”. Segundo apurou o ECO, o banco que ganhou esta operação foi o J.P. Morgan.

Já o acordo de princípio em torno da concessão Douro Litoral, que opera nas A41, A43 e A32 (todas no Grande Porto), prevê, entre outros aspetos, a desistência de todos os litígios atualmente pendentes — entre eles estará uma ação colocada em tribunal no mês de abril e em que os credores reclamavam 870 milhões de euros — e o reconhecimento dos credores enquanto acionistas da concessionária, controlando e nomeando a gestão da AEDL. Os fundos chegaram a exigir mais de 80 milhões de euros à Brisa para assinar um acordo, mas o valor final foi outro: Segundo as fontes do ECO, a Brisa pagará menos de 15 milhões de euros para fazer o settlement da operação.

Um dos processos que opunha os credores à Brisa era o chamado “processo 501” por referência ao artigo 501º do Código das Sociedades Comerciais sobre a “Responsabilidade para com os credores da sociedade subordinada”. Na prática, segundo os advogados dos fundos, este artigo atribuía à Brisa a responsabilidade pelas dívidas da concessionária da Douro Litoral.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Governo trava acordo que pôs fim à guerra nas concessões da Brisa

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião