Novo aumento extra das pensões? “Negociações vão continuar”, diz Centeno
No articulado do OE 2020, o Governo propõe reforçar as pensões de valor mais baixo, mas não esclarece se tal significará ou não um novo aumento extra dessas prestações sociais.
No próximo ano, o Governo quer reforçar as pensões de valor mais baixo. Esse compromisso foi deixado no articulado do Orçamento do Estado para 2020, mas não é certo o que significará, na prática, para os pensionistas. Questionado sobre esta matéria, Mário Centeno pouco adianta: diz que aumento normal previsto na lei já reflete um reforço das pensões mais modestas, mas salienta que as negociações irão continuar ao longo da discussão da proposta orçamental.
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“Em 2020, o Governo reforça as pensões de valor mais baixo, de modo a aumentar os rendimentos destes pensionistas e a combater a pobreza entre as pessoas idosas”, refere-se na proposta de Orçamento do Estado apresentada, na segunda-feira, na Assembleia da República.
Ao contrário do que aconteceu nos últimos anos, esse articulado não tem qualquer menção direta a um aumento extraordinário das pensões mais baixas, medida que tem sido exigida pelas bancadas mais à esquerda. Daí que os jornalistas tenham questionado, repetidamente, o ministro das Finanças sobre se tal norma se traduzirá nessa subida extra.
Mário Centeno não esclareceu, contudo, o que quer dizer essa norma em concreto. “O que o Orçamento propõe é a aplicação integral daquilo que são as regras que regem as pensões no normativo vigente”, começou por dizer. “Há uma referência no articulado a uma disponibilidade, que já está traduzida em grande medida na lei, para o Governo fazer um reforço e valorização dos rendimentos dos mais idosos e das pensões. [Essa disponibilidade] é traduzida na perfeição na implementação da lei de bases da Segurança Social”, frisou o governante, referindo-se à lei que dita que, contas feitas, em 2020 as pensões mais baixas terão um aumento de 0,7% (0,5 pontos percentuais acima da inflação registada até novembro deste ano).
Ainda assim, Mário Centeno sublinhou que as negociações “seguramente vão continuar ao longo de todo a discussão do Orçamento do Estado”, deixando indiretamente a porta aberta a que esse aumento extra possa ser debatido na especialidade.
De acordo com a lei, a partir do próximo ano, as pensões mais baixas (até 877,6 euros mensais) vão subir 0,7%. Essa atualização é ditada pela soma da variação média do Índice de Preços no Consumidor nos últimos 12 meses, sem habitação (este ano, 0,24%) com um “bónus” de 0,5 pontos percentuais decorrente do crescimento da economia acima dos 2%.
Os restantes pensionistas também vão ver as suas pensões crescer, embora de forma mais modesta. Para as pensões entre os 877,6 euros e 2.632,8 euros, a subida deverá ser de 0,2%, ou seja, igual à inflação. Já as pensões acima dos 2.632,8 euros deverão ficar estagnadas, isto porque a lei prevê que a atualização seja igual à inflação deduzida de 0,25 pontos percentuais.
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