Celeste Cardona diz que Caixa começou a financiar Berardo com as “regras adequadas” para ser reembolsada

Celeste Cardona "não dúvidas" de que a CGD começou a financiar Berardo com as "regras adequadas" para reaver empréstimos. E diz que os problemas vieram com a renegociação do contrato.

Celeste Cardona, antiga administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD), “não tem dúvidas” de que quando o banco começou a financiar Joe Berardo tinha estabelecido as “regras adequadas” para receber os empréstimos de volta. E sugeriu que, se hoje em dia há dificuldades em executar as garantias ao comendador, esses problemas ocorreram numa fase posterior ao seu mandado.

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“Como boa mãe de família, no exercício das minhas atividades e nas atividades jurídicas da Caixa, não tenho a menor dúvida de que estavam estabelecidas as regras adequadas para resolver o cumprimento dessa dívida“, afirmou esta sexta-feira Celeste Cardona na II comissão de inquérito à recapitalização da CGD.

“O que aconteceu a esse contrato de financiamento, com as sucessivas restruturações, com o último acordo quadro com os bancos, isso não sei como dizer. Não tenho meio de saber”, acrescentou.

A 20 de abril, CGD, BCP e Novo Banco entregaram no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa uma ação executiva para cobrar dívidas de Joe Berardo, de quase 1.000 milhões de euros. No caso do banco público, a exposição à Fundação Berardo ascendia a 268 milhões de euros no final de 2015, segundo a auditoria da EY à CGD. No caso da Metalgest, a exposição era de 53 milhões de euros.

Celeste Cardona tinha explicado antes que no momento inicial da concessão dos créditos a Joe Berardo o banco foi confirmar as contas das duas sociedades para responder às recomendações do departamento do risco. “Foram (…) sendo procuradas soluções ao que o risco colocava. O parecer [de risco] não era desfavorável, tinha recomendações. Recordo que foi necessário confirmar contas da Metalgest e da Fundação Berardo”, contou a antiga ministra da Justiça aos deputados.

A “preocupação essencial era a de saber em que condições o património total do devedor poderia responder se houvesse incumprimento”, disse. E “tanto quanto sei, o senhor Berardo tem uma coleção de arte com valor. Tinha uma fortuna avaliada em mais de 500 milhões [de euros]. Tinha bens que vendeu em 2008 para assegurar financiamento adicional”, elencou. “O senhor Berardo era uma pessoa muito rica, segundo se dizia”, rematou.

Vara aumentou crédito a Vale do Lobo? “Foi caso único. Tinha a ver com agilidade nas decisões”

Além do tema Joe Berardo, também o projeto de Vale do Lobo ocupou grande parte da audição de Celeste Cardona. A ex-administradora da CGD diz que não sabia que tinha sido Armando Vara a apresentar o dossiê dentro do banco — fê-lo através de um dossiê preparado que enviou por e-mail ao então diretor de Empresas Sul do banco, Alexandre Santos.

Mariana Mortágua questionou se não foi Vara a defender a proposta no conselho alargado de crédito. “Isso não se fazia assim. O projeto era apresentado pelas direções”, afirmou Celeste Cardona, numa resposta que deixou a deputada do Bloco de Esquerda um pouco intrigada.

Socorrendo-se de informação interna do banco, Mariana Mortágua contou então que Armando Vara decidiu sozinho aumentar crédito de 194 milhões de euros para 200 milhões. Isto era normal, perguntou a deputada. “Não tenho conhecimento de que isso tenha sido feito mais alguma vez”, acrescentou de seguida.

Respondeu Celeste Cardona: “Nem eu, senhora deputada. Era um caso único, tanto quanto eu sei. Pelo menos nunca vi nos anos em que estive na Caixa”. Logo a seguir tentou arranjar uma explicação para o sucedido: “Creio que tinha a ver com agilidade, rapidez e facilidade das decisões”.

(Notícia atualizada às 19h08)

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