FMI diz que lucros dos bancos ainda são baixos. E dá luz verde à reforma da supervisão
Fundo Monetário Internacional elogia progressos nos bancos portugueses: estão mais limpos, sólidos e rentáveis. Ainda assim, sublinha que caminho vai a meio e supervisores devem estar atentos.
Os bancos portugueses vão no bom caminho, mas ainda têm obstáculos pela frente, considera o Fundo Monetário Internacional (FMI). Depois da crise, o sistema financeiro está agora mais limpo, sólido e rentável, mas o esforço ainda não foi suficiente. Os técnicos do Fundo defendem por isso que os supervisores se mantenham vigilantes em relação ao setor.
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“A missão recomenda que os supervisores assegurem que os bancos continuam a seguir as metas de redução do NPL (non performing loans) e reforcem o governo, controlo interno e gestão de risco, e encorajem os bancos a acelerar os esforços para melhorar a eficiência operacional e a rentabilidade”, refere a equipa do Fundo liderada por Alfredo Cuevas que esteve em Lisboa a preparar o relatório sobre Portugal ao abrigo do artigo IV.
São várias as notas positivas que a missão dá aos bancos, mas exige mais progressos. Por exemplo: “O sistema bancário registou lucros positivos desde o início de 2017, mas estes mantêm-se baixos relativamente aos níveis pré-crise e abaixo do custo de capital”. No ano passado, tirando o Novo Banco, os maiores bancos nacionais registaram lucros de quase 1.800 milhões de euros, quase cinco milhões por dia.
O FMI também evidencia a melhoria “firme” da qualidade dos ativos, perante a redução do rácio do crédito malparado para 9,4% no final de 2018 e o rácio de provisionamento acima de 50%. Mas os bancos portugueses continuam a ficar mal no retrato europeu, frisa.
"A missão recomenda que os supervisores assegurem que os bancos continuam a seguir as metas de redução do NPL (non performing loans) e reforcem o governo, controlo interno e gestão de risco, e encorajem os bancos a acelerar os esforços para melhorar a eficiência operacional e a rentabilidade.”
Reforma da supervisão financeira vai melhorar “sistema atual”
Ao mesmo tempo, os técnicos do FMI dão parecer favorável à reforma da supervisão financeira promovida pelo atual Governo, embora reconheçam que as dúvidas levantadas pelos supervisores são “legítimas”.
“Um dos principais objetivos da reforma da supervisão passa por assegurar a coordenação entre os três supervisores setoriais. A reforma tem aspetos que poderão melhorar atual sistema”, nota a organização. “Ainda assim, os três supervisores setoriais (Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões) levantaram preocupações legítimas em relação à reforma de que merece atenção especial do Parlamento antes de ser aprovada”, refere o Fundo.
A reforma da supervisão foi lançada em 2017 por Mário Centeno e deverá ser aprovada ainda nesta legislatura. O Banco Central Europeu (BCE) deverá enviar a sua posição sobre o tema em “breve”. Entre outros, prevê a criação do Conselho Nacional dos Supervisores, que ficará com a competência macroprudencial até agora nas mãos do Banco de Portugal; autonomiza a autoridade de resolução, que também está atualmente na esfera do Banco de Portugal.
As críticas chegam não só dos três supervisores setoriais, porque poderá colocar em causa a sua independência face ao poder político, mas também por entidades como a Autoridade da Concorrência, a Euronext ou a Associação de Emitentes, que temem um aumento dos custos regulatórios.
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