Novo Banco está quase vendido. Falta aprovar plano de negócios

Ainda falta uma peça na venda do Novo Banco: o plano de negócios. A Comissão Europeia e o Governo continuam em "contacto construtivo" para garantirem que o banco "é viável a longo prazo".

O Novo Banco está quase a ser vendido ao fundo norte-americano Lone Star. Além da conclusão da operação de troca, ainda falta uma peça neste puzzle: o plano de negócios que vai orientar o banco liderado por António Ramalho nesta nova fase e sobre o qual ainda não se conhecem muitos detalhes. A Comissão Europeia continua em negociações com o Executivo de António Costa para chegarem a um plano que garanta que o banco é “viável a longo prazo”, explica o porta-voz da entidade ao ECO.

“Estamos em contacto construtivo com o Governo português sobre o plano final de reestruturação do Novo Banco, que precisa de garantir que o banco seja viável a longo prazo”, refere Ricardo Cardoso, porta-voz da Comissão Europeia, ao ECO.

“Estes contactos seguem o acordo de princípio que a comissária [europeia para a Concorrência Margrethe] Vestager concluiu com o Governo português para permitir a venda do Novo Banco à Lone Star em conformidade com as regras da União Europeia em matéria de auxílios estatais”, acrescenta. Isto porque a entidade apenas autorizou esta operação por não envolver dinheiros públicos.

Estamos em contacto construtivo com o Governo português sobre o plano final de reestruturação do Novo Banco, que precisa de garantir que o banco seja viável a longo prazo.

Ricardo Cardoso, porta-voz da Comissão Europeia

Agora que o Novo Banco está prestes a conseguir cumprir uma das condições cruciais para que a venda ao fundo norte-americano seja concretizada — obter uma “almofada” de 500 milhões através de uma oferta de troca de dívida — fica ainda a faltar este documento que vai traçar o plano de ataque do banco liderado por António Ramalho. Mas pouco se sabe sobre este plano de negócios.

Em julho, a dimensão da reestruturação a que o banco vai ser sujeito ainda estava em discussão com o comprador e com a autoridade de resolução de modo a encontrar uma forma de tornar a instituição financeira viável, de acordo com o secretário de Estado adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix. E estas discussões ainda prosseguem com o Governo português.

Mas o silêncio também impera junto do Lone Star. O fundo deixou apenas algumas promessas: desde manter o banco inteiro, até pô-lo a dar crédito de seis mil milhões de euros à economia, todos os anos. Questionado pelo ECO, o Lone Star disse não querer dar mais detalhes sobre o plano de negócios nesta fase. Mas deixou claro que são seis mil milhões de novo crédito. E não de stock de crédito – um indicador que tem vindo a cair desde que o Novo Banco foi criado.

No final de 2016, o saldo de crédito a empresas era de 22.451 milhões, valor que caiu para 20.929 milhões em junho deste ano, reflexo do contexto de taxas de juro muito baixas, que faz acelerar a amortização dos empréstimos, mas também da reduzida concessão de novos financiamentos tendo em conta o fraco apetite das empresas.

Perante esta evolução do saldo do crédito, o rácio de transformação do Novo Banco, ou seja, o saldo do crédito em função dos depósitos, continua a cair, estando nos 106%. O Novo Banco refere, no entanto, que o rácio deverá evoluir para 110%, o que traduz a expectativa de que o saldo do crédito aumente, isto tendo em conta que o saldo dos depósitos está também a crescer. Os recursos dos clientes aumentaram em 300 milhões “após ser conhecido o acordo para a venda de 75% do Novo Banco ao Lone Star em 31 de março de 2017”.

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