Está a chegar o voo mais longo do mundo

  • Bloomberg
  • 27 Agosto 2017

Há anos que a Qantas Airways tenta prolongar o tempo de voo para evitar escalas em longo curso. Agora, o objetivo está perto de ser verdade.

Praticamente toda a gente prefere voar sem escalas — principalmente quem viaja a negócios. E é muito provável que estes possam pagar a diferença. Atualmente, porém, nem com todo o dinheiro do mundo podemos ir de Sidney à Big Apple ou ao Reino Unido sem uma escala, porque os aviões comerciais não têm autonomia suficiente de voo.

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Mas isso pode mudar em breve. Durante muitos anos, executivos da companhia aérea australiana Qantas Airways procuraram oferecer um voo direto de Sidney e Melbourne a Londres. Agora, com os avanços da tecnologia, finalmente veem o potencial de realizar esse sonho. Dois novos modelos planeados pela Airbus e pela Boeing pretendem fazer a viagem sem escalas até Londres — 20 horas e 20 minutos — saindo de Sidney. Onovo modelo também atravessaria o Oceano Pacífico e chegaria a Nova Iorque em cerca de 18 horas.

Esta sexta-feira, o presidente-executivo da Qantas, Alan Joyce, lançou um “desafio” público às empresas para que ampliem o alcance do novo 777X da Boeing, com lançamento programado para 2020, e da versão de “alcance ultralongo” planeada para o Airbus A350, que será lançado em 2018. A Qantas espera receber um avião desse tipo e começar o serviço de Sidney a Londres em 2022, afirmou a empresa como parte de seus resultados de receita no ano cheio.

A Qantas afirmou que os dois aviões “podem chegar perto” dos requisitos necessários para os voos a Londres e Nova Iorque. O objetivo do estímulo público é levar uma das fabricantes, ou ambas, a reverem os esquemas técnicos para ampliarem ainda mais a distância coberta.

Um voo direto de Sidney a Londres reduziria quase quatro horas dos tempos das viagens atuais, que têm uma escala; para Nova Iorque, os passageiros poderiam economizar quase três horas. A Airbus, numa declaração enviada por email, afirmou estar à altura do desafio.

“O A350-900 ULR estará em operação no ano que vem para voos ultralongos de até 20 horas”, afirmou a empresa. “Esperamos ansiosamente trabalhar com a Qantas para ver como podemos atender aos requisitos para voos sem escalas entre Sidney e Londres.”

A Boeing não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários enviados por email.

Os voos de longo alcance tornaram-se muito mais comuns nos últimos anos, à medida que as aeronaves de composição mais leve, combinadas com a tecnologia de turbinas a jato mais duráveis e com um uso mais eficiente de combustível, abriram uma série de rotas novas com modelos de longa distância da Airbus e da Boeing. “Sabe-se, com base no que eles fizeram com outras aeronaves, que as rotas Sidney-Londres e Melbourne-Londres têm possibilidades reais”, disse Joyce ao jornal The Sydney Morning Herald em abril.

No início deste ano, a Qantas afirmou que passaria a oferecer voos diretos de Perth a Londres em março de 2018, usando um Boeing 787-9.

A Qantas lançou seu primeiro voo da chamada “Rota do Canguru”, de Sidney a Londres, em dezembro de 1947, com um avião Lockheed Constellation. A viagem demorou quatro dias. Dentro de alguns anos, a operadora cujo logótipo tem um canguru espera fazer esse trajeto em pouco mais de 20 horas.

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